sexta-feira, janeiro 2, 2026
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Bolsonaro oficializa Flávio como pré-candidato ao Planalto em carta escrita na prisão

Bolsonaro oficializa Flávio como pré-candidato ao Planalto em carta escrita na prisão

Documento manuscrito, lido às vésperas de cirurgia, marca a aposta da família Bolsonaro para 2026 e redesenha o tabuleiro da direita brasileira

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) confirmou formalmente a indicação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como pré-candidato à Presidência da República em 2026. A decisão foi comunicada por meio de uma carta escrita à mão, redigida enquanto Bolsonaro estava detido na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, e tornada pública nesta quinta-feira, 25 de dezembro.

O texto foi lido pelo próprio Flávio Bolsonaro a jornalistas poucas horas antes de o pai ser submetido a uma cirurgia de reparação de duas hérnias inguinais, num hospital privado da capital federal. A revelação confirma informações que já circulavam nos bastidores da política brasileira desde o início de dezembro.

 Uma carta, um gesto político calculado

Na carta, Jair Bolsonaro afirma que tomou a decisão em meio ao que classifica como um “cenário de injustiça”, reforçando que sua escolha tem como objetivo impedir, segundo ele, que a “vontade popular seja silenciada”.

“Tomo a decisão de indicar Flávio Bolsonaro como pré-candidato à Presidência da República em 2026”, escreveu o ex-presidente, num dos trechos centrais do documento.

O tom do texto mistura vitimização política, apelo emocional e construção de legado. Bolsonaro afirma estar a “entregar o que há de mais importante na vida de um pai: o próprio filho”, numa tentativa clara de transferir capital político, simbólico e eleitoral.

Continuidade, não renovação

Ao apresentar Flávio como sucessor, Bolsonaro não fala em mudança de rumo. Pelo contrário. O ex-presidente descreve o filho como a “continuidade do caminho” que diz ter iniciado antes mesmo de chegar ao Planalto, reforçando valores caros à sua base: Deus, pátria, família e liberdade.

A mensagem é clara: o bolsonarismo não se reinventa — tenta sobreviver por herança direta.

Carta vem à tona em meio a operação médica e vigilância da PF

A divulgação do documento ocorre num momento politicamente sensível. Bolsonaro deixou a carceragem da Polícia Federal no dia 24 de dezembro, com autorização do ministro Alexandre de Moraes, para realizar o procedimento cirúrgico.

Durante a internação no Hospital DF Star, o ex-presidente permanece sob vigilância permanente, com dois agentes da PF no quarto, 24 horas por dia. É a primeira saída da prisão desde a sua detenção, em 22 de novembro.

Exames pré-operatórios, incluindo avaliação cardiológica e análise de risco cirúrgico, indicaram que Bolsonaro estava apto para a cirurgia, prevista para durar cerca de quatro horas.

Prisão, sucessão e cálculo eleitoral

A carta, embora pessoal no tom, é profundamente política no conteúdo. Jair Bolsonaro encontra-se fora do jogo eleitoral por decisão judicial, mas deixa claro que não abdica de influência nem aceita desaparecer do debate público.

Ao escolher Flávio — e não Michelle Bolsonaro ou outro aliado —, o ex-presidente sinaliza que aposta num nome com mandato, estrutura partidária e trânsito no Congresso, ainda que carregue consigo o peso do sobrenome e das controvérsias familiares.

 

O que muda no cenário político?

A pré-candidatura de Flávio Bolsonaro antecipa disputas internas na direita, pressiona aliados e reorganiza o campo conservador para 2026. Também coloca o senador sob holofotes mais intensos, tanto eleitorais quanto judiciais.

Resta saber se o eleitorado aceitará a sucessão direta ou se verá o movimento como nepotismo político travestido de missão patriótica.

A carta de Jair Bolsonaro não é apenas um gesto de pai. É um ato de sobrevivência política, escrito num momento de fragilidade pessoal, mas calculado com precisão estratégica. Ao lançar Flávio como herdeiro, Bolsonaro tenta manter vivo um projeto que perdeu o poder, mas não desistiu da disputa.

A pergunta que fica é direta: o bolsonarismo consegue vencer sem Bolsonaro nas urnas — ou sem Bolsonaro em liberdade?

O que você pensa sobre essa indicação?
Flávio Bolsonaro tem força própria ou depende exclusivamente da sombra do pai? Deixe a sua opinião nos comentários e partilhe este artigo.

 

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