segunda-feira, fevereiro 16, 2026
HomeNEWS IN PORTUGUESERDC acusa Ruanda de massacre no leste e alerta para risco de...

RDC acusa Ruanda de massacre no leste e alerta para risco de guerra regional

Kigali é acusada de apoiar ofensiva do M23 que já terá feito mais de 1.500 mortos civis e empurrou dezenas de milhares de congoleses para o exílio

A tensão no coração da África Central voltou a subir de tom. A República Democrática do Congo (RDC) acusou formalmente o Ruanda de estar por trás da morte de mais de 1.500 civis no leste do país, numa escalada militar que ameaça transformar-se num conflito regional de grandes proporções.

Segundo Kinshasa, os ataques intensificaram-se desde o início de dezembro, quando o grupo armado M23, alegadamente apoiado por Kigali, lançou uma nova ofensiva em Kivu do Sul, violando um frágil cessar-fogo alcançado meses antes.

Ofensiva após acordo de paz agrava crise humanitária

O mais grave, segundo o governo congolês, é que a nova vaga de violência ocorreu poucos dias depois de um acordo de paz mediado pelos Estados Unidos, o que levanta dúvidas sérias sobre a viabilidade dos esforços diplomáticos na região.

A situação deteriorou-se rapidamente com a queda da cidade estratégica de Uvira, um ponto-chave no corredor que liga o leste da RDC ao Burundi. A tomada da cidade provocou a fuga de dezenas de milhares de civis, muitos dos quais atravessaram a fronteira em condições precárias, sobrecarregando campos de refugiados burundeses já saturados.

Bombas, drones e reforços militares

De acordo com autoridades congolesas, a operação militar em curso apresenta um nível de sofisticação raro para grupos armados locais. Kinshasa denuncia o uso de bombardeamentos aéreos, drones kamikaze e armamento pesado, atribuídos diretamente às forças ruandesas.

Fontes oficiais indicam ainda que três novos batalhões ruandeses terão sido enviados para o terreno, reforçando posições em Kivu do Sul com um objetivo claro: avançar rumo a Kalemie, na província de Tanganyika.

“Não se trata apenas de apoiar uma milícia. Trata-se de uma operação militar estruturada, com comando externo”, afirma um responsável congolês sob anonimato.

O caminho para Katanga e o coração mineiro da RDC

A preocupação maior de Kinshasa é estratégica. Caso o M23 consiga consolidar o controlo da rota até Kalemie, abre-se o caminho para a antiga província de Katanga, considerada o coração mineiro da RDC.

A região é rica em cobre, cobalto e outros minerais críticos, essenciais para a indústria global de baterias, tecnologia e transição energética. Analistas alertam que o controlo dessas áreas pode alterar o equilíbrio económico e geopolítico da África Central.

M23: um conflito que nunca terminou

O M23 voltou às armas em 2021, depois de quase uma década de relativa inatividade. Desde então, ocupa vastas áreas do leste congolês, numa região marcada há décadas por conflitos armados, interesses minerais e ingerência externa.

A ofensiva atual, iniciada a 2 de dezembro, pôs fim a cerca de seis meses de relativa calma e garantiu ao grupo o controlo da fronteira terrestre com o Burundi, agravando ainda mais a já dramática crise humanitária.

Organizações internacionais alertam para o risco de colapso dos serviços básicos, aumento da fome e deslocações em massa caso o conflito continue a expandir-se.

PAZ DISTANTE, RISCO IMEDIATO

As acusações da RDC contra o Ruanda não são novas, mas a dimensão das mortes civis e o avanço territorial do M23 colocam a região à beira de um confronto aberto entre Estados. Enquanto a diplomacia falha e os civis pagam o preço, a pergunta impõe-se: quem controla, afinal, o destino do leste do Congo — os governos ou as armas?

O que você pensa sobre esta crise?
Acredita que a comunidade internacional está a fazer o suficiente? Deixe a sua opinião nos comentários e partilhe este artigo.

 

RELATED ARTICLES

Most Popular

Recent Comments