terça-feira, fevereiro 17, 2026
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Putin testa Trump com “prova” de ataque fantasma e reacende jogo sujo da guerra da informação

Kremlin exibe peça de drone a diplomata dos EUA numa tentativa explícita de influenciar Donald Trump e legitimar uma acusação que a inteligência americana diz não existir

A Rússia voltou a apostar na guerra da narrativa — e Donald Trump surge, mais uma vez, como alvo preferencial. Desta vez, o Kremlin encenou uma apresentação pública de supostas “provas” de um ataque ucraniano à residência do presidente Vladimir Putin, numa manobra vista por analistas como uma tentativa direta de testar até onde Trump está disposto a engolir versões fabricadas dos factos.

Na quinta-feira, em Moscovo, um alto responsável militar russo entregou a um adido militar dos Estados Unidos um fragmento de drone que, segundo o Ministério da Defesa da Rússia, teria sido usado numa alegada tentativa de ataque à casa de Putin, na região de Novgorod.

O detalhe central: o ataque nunca aconteceu, segundo conclusões da CIA.

Kremlin encena “prova” para consumo político

O momento foi cuidadosamente coreografado. Em reunião televisionada, o almirante Igor Kostyukov, chefe da Direcção Principal do Estado-Maior das Forças Armadas russas, apresentou o componente do drone como evidência irrefutável.

Segundo ele, a análise do controlador de navegação provaria “sem qualquer dúvida” que o alvo era o complexo residencial do presidente russo.

“A descodificação da memória do controlador confirma inequivocamente que o objetivo era a residência presidencial”, afirmou Kostyukov, citado pela Reuters.

A escolha das palavras não foi inocente. O Kremlin sabe que a palavra ‘inequivocamente’ pesa no jogo político, mesmo quando os factos dizem o contrário.

Trump caiu — e depois recuou

O episódio ganha relevo porque ocorre poucos dias depois de Donald Trump ter afirmado publicamente que estava perto de um acordo com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky para encerrar a guerra.

Logo a seguir, após uma chamada com Putin, Trump demonstrou irritação com Kyiv e deu crédito à versão russa do suposto ataque.

Quando questionado se os Estados Unidos tinham provas, respondeu:

“Vocês dizem que talvez o ataque não tenha ocorrido — isso é possível, eu acho — mas o presidente Putin disse-me hoje de manhã que aconteceu.”

Horas depois, o cenário mudou. Trump partilhou nas redes sociais um editorial crítico a Putin, depois de ter sido informado pela CIA de que o ataque à residência presidencial foi inventado.

O detalhe técnico que desmonta a narrativa

A nova “prova” russa parece frágil até para observadores leigos.

Especialistas em drones, entusiastas da aviação e bloggers militares ucranianos apontaram rapidamente um problema básico:
o modelo de controlador exibido — MATEK H743 — é usado normalmente em drones de curto alcance.

Na prática, não teria autonomia técnica para percorrer centenas de quilómetros e atingir uma residência presidencial altamente protegida.

Mesmo assim, Moscovo afirmou ter intercetado 91 drones ucranianos, descrevendo o episódio como uma tentativa de assassinato.

O que dizem os serviços de inteligência dos EUA

A versão russa foi rejeitada de forma clara por Kyiv — e também por Washington.

De acordo com informações avançadas pelo The Wall Street Journal, a inteligência americana concluiu que:

  • A Ucrânia tentou atingir um alvo militar russo na mesma região
  • Não houve qualquer ataque à residência de Putin
  • A narrativa do Kremlin mistura deliberadamente localização geográfica com intenção política

É um padrão conhecido da máquina de propaganda russa.

 

Ego, manipulação e diplomacia tóxica

O Kremlin não esconde a estratégia: falar diretamente ao ego de Trump.

O porta-voz de Putin, Dmitry Peskov, chegou a afirmar que a alegada operação ucraniana visava “sabotar os esforços do presidente Trump para alcançar a paz”.

A mensagem é clara:
“Se algo corre mal, a culpa é da Ucrânia — e Trump é a vítima.”

Até agora, a Casa Branca não comentou oficialmente a inspeção do fragmento de drone entregue ao diplomata americano.

Quem está a testar quem?

O episódio expõe uma verdade incómoda:
a guerra na Ucrânia já não se trava apenas com mísseis, mas com narrativas feitas à medida de líderes específicos.

A Rússia sabe que Trump reage à validação pessoal, à dramatização e ao conflito direto. E continua a testar os limites.

A pergunta que fica é simples e desconfortável:
quantas vezes mais versões fabricadas serão necessárias até que a desinformação deixe de ser tratada como “possibilidade”?

O que você pensa sobre este jogo de bastidores entre Moscovo e Washington? Acha que Trump ainda pode voltar a cair? Deixe a sua opinião nos comentários e partilhe este artigo.

 

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