Três capitães, duas décadas de entrega e um legado pesado: a geração que segurou os Mambas fecha o livro no Marrocos e deixa o futuro em aberto.
Uma despedida que marca época no futebol moçambicano
O Campeonato Africano das Nações de Marrocos 2025 não será apenas mais uma competição para Moçambique. Será o ponto final de uma era. Dominguez, Mexer Sitóe e Reinildo Mandava — três nomes que dispensam apresentações — vão deixar a Selecção Nacional, encerrando um ciclo que moldou a identidade recente dos Mambas no futebol africano.
A saída simultânea dos três capitães não é apenas simbólica. Representa uma mudança estrutural, dentro e fora do balneário, num momento em que o futebol moçambicano procura consolidar respeito continental e ambição competitiva.
Dominguez: a longevidade como ato de liderança
Poucos jogadores africanos conseguem sustentar uma carreira internacional tão extensa quanto Dominguez. Estreado em 2004, o médio ultrapassou a marca das 120 internacionalizações, um número raro mesmo em seleções de elite.
Aos 42 anos, entrou para a história como um dos atletas mais velhos a disputar uma Taça das Nações Africanas, num feito que não se explica apenas pela condição física, mas sobretudo pela disciplina, leitura de jogo e compromisso.
Durante duas décadas, Dominguez foi mais do que capitão. Foi referência técnica, ponte entre gerações e rosto da estabilidade num futebol frequentemente marcado por transições abruptas.
Mexer Sitóe: o equilíbrio entre experiência e modernidade
Se Dominguez simboliza continuidade, Mexer Sitóe representa a transição. Defesa central formado em contextos competitivos da Europa, passou por ligas exigentes como Portugal, França e Turquia, levando para a Selecção Nacional uma mentalidade profissional pouco comum no futebol local.
Enquanto subcapitão, Mexer destacou-se pela regularidade, pela leitura defensiva e pelo papel silencioso — mas decisivo — no crescimento de jogadores mais jovens. Foi um líder de bastidores, essencial num grupo em transformação.
Reinildo Mandava: o moçambicano que quebrou fronteiras
Reinildo Mandava é, talvez, o símbolo mais visível da nova dimensão internacional do futebol moçambicano. Estreado em 2014, afirmou-se como um dos laterais mais consistentes da história recente dos Mambas.
O seu percurso fora do país fala por si. Passou por ligas de topo, brilhou na La Liga e entrou para a história como o primeiro moçambicano a actuar na Premier League. Esse feito elevou não apenas o seu estatuto pessoal, mas também o nível de exigência interna da própria Selecção.
Um legado que não se mede só em números
Dominguez, Mexer e Reinildo deixam estatísticas, jogos memoráveis e feitos inéditos. Mas deixam, acima de tudo, exemplo. Profissionalismo, resiliência e sentido de responsabilidade com a camisola nacional.
O fim desta geração é inevitável. O desafio agora é outro: quem assume o peso da herança? Quem lidera, quem segura a pressão e quem transforma potencial em resultados?
O futebol moçambicano entra numa nova fase — mais exposta, mais exigente e sem álibis.
O CAN Marrocos 2025 ficará marcado como o torneio da despedida. Não apenas de três jogadores, mas de uma forma de estar na Selecção Nacional. O futuro começa agora, sem muletas nem nomes históricos para esconder fragilidades.
A pergunta que fica é simples e direta: os Mambas estão prontos para caminhar sem os seus pilares históricos?
E você, o que pensa sobre esta despedida histórica?
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