Casa Branca fala em defesa da soberania nacional, critica políticas climáticas e ideológicas e mantém em sigilo a lista completa das entidades afetadas
Os Estados Unidos deram mais um passo no afastamento de estruturas multilaterais internacionais. O presidente Donald Trump assinou uma proclamação que determina a retirada norte-americana de mais de 60 organizações internacionais, incluindo 35 entidades fora do sistema das Nações Unidas e 31 organismos ligados à ONU. A decisão, anunciada esta quarta-feira pela Casa Branca, volta a colocar Washington em rota de colisão com o modelo de governação global defendido por várias potências e instituições internacionais.
Apesar da dimensão da medida, a Casa Branca recusou-se a divulgar a lista completa das organizações das quais os EUA se desligam, limitando-se a justificar a decisão com argumentos de soberania, eficiência económica e defesa dos interesses nacionais.
Soberania, economia e ideologia no centro da decisão
Em comunicado oficial, a administração Trump afirmou que as organizações agora abandonadas “operam em sentido contrário aos interesses nacionais dos Estados Unidos”, promovendo agendas consideradas incompatíveis com a visão estratégica do atual governo.
Segundo a Casa Branca, estas entidades defendem “políticas climáticas radicais, modelos de governação global e programas ideológicos” que, na perspetiva de Washington, fragilizam a soberania nacional e comprometem a força económica do país.
A linguagem usada no anúncio não deixa margem para ambiguidades. A decisão não é apresentada como um ajuste administrativo, mas como um posicionamento político deliberado, alinhado com a narrativa “America First” que marcou a presidência de Trump desde o início.
Organizações da ONU também na mira
Embora o governo norte-americano não tenha revelado nomes, o jornal Washington Post avançou que a lista inclui a agência das Nações Unidas para a População (UNFPA) e o tratado internacional que estrutura as negociações climáticas globais, um pilar central dos esforços multilaterais contra as alterações climáticas.
A saída destas estruturas reforça o histórico ceticismo de Trump em relação aos acordos climáticos internacionais, já evidenciado anteriormente com o abandono do Acordo de Paris.
Para analistas, trata-se de um sinal claro de que os Estados Unidos pretendem reduzir drasticamente o seu envolvimento em fóruns multilaterais, privilegiando decisões unilaterais e acordos bilaterais.
Departamento de Estado fala em desperdício e má gestão
O Departamento de Estado foi ainda mais longe na sua justificação. Em nota oficial, descreveu as instituições visadas como redundantes, mal geridas, dispendiosas e capturadas por interesses externos.
“Estas organizações são desnecessárias, promovem agendas próprias contrárias às nossas e representam uma ameaça à soberania, às liberdades e à prosperidade geral da nossa nação”, afirma o comunicado.
A mensagem é clara: para a administração Trump, o multilateralismo atual não serve os interesses estratégicos dos EUA, antes os limita.
Impacto internacional e possíveis consequências
A retirada norte-americana de dezenas de organizações internacionais poderá ter efeitos profundos na cooperação global, sobretudo em áreas como clima, desenvolvimento, saúde, direitos humanos e população.
Especialistas alertam que a ausência dos EUA — um dos maiores financiadores e influenciadores dessas instituições — pode fragilizar programas internacionais, ao mesmo tempo que abre espaço para outras potências, como a China, ampliarem a sua influência.
Internamente, a decisão também deverá alimentar o debate político, com críticos a acusarem Trump de isolar os Estados Unidos e apoiantes a defenderem a medida como um ato de recuperação da soberania nacional.
Uma rutura calculada com o sistema internacional
Mais do que uma decisão pontual, a proclamação assinada por Donald Trump representa uma rutura estratégica com décadas de diplomacia multilateral norte-americana. Ao abandonar dezenas de organizações internacionais, Washington redefine o seu papel no mundo — menos árbitro global, mais ator isolado e assertivo.
Resta saber se esta postura fortalecerá os Estados Unidos a longo prazo ou se acabará por reduzir a sua capacidade de influência num mundo cada vez mais interdependente.
Até que ponto uma superpotência pode afastar-se das estruturas globais sem pagar um preço político e económico elevado?
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Trump retira os EUA de mais de 60 organizações internacionais, alegando defesa da soberania e rejeição de políticas climáticas e ideológicas globais.