Comissão Nacional de Gestão prepara estratégias para acelerar congresso extraordinário e pôr fim à crise interna
A Renamo prepara-se para um dos momentos mais sensíveis da sua história recente. No final deste mês de Janeiro, a Comissão Nacional de Gestão (CNG) do partido vai realizar a sua primeira reunião nacional, na cidade da Matola, província de Maputo, num encontro que promete influenciar directamente o futuro da liderança da formação política.
O anúncio foi feito pelo coordenador nacional da CNG, Edgar Silva, durante uma conferência de imprensa realizada na própria Matola. Segundo explicou, o encontro vai juntar 93 membros, entre coordenadores e integrantes das comissões provinciais de gestão, além de um número restrito de convidados.
Reunião nasce num contexto de divisão interna
A convocatória surge num cenário de profunda clivagem interna, marcada pelo crescente afastamento entre a actual liderança do partido e sectores influentes da Renamo. No centro do conflito está o Presidente do partido, Ossufo Momade, cuja permanência no cargo é abertamente contestada por membros ligados à Comissão Nacional de Gestão.
De acordo com Edgar Silva, esta reunião terá como foco principal a definição de estratégias políticas e organizativas destinadas a restaurar a coesão interna e preparar o caminho para um congresso extraordinário.
“É a primeira vez que vamos sentar juntos para delinear acções que nos permitam, num futuro muito breve, alcançar o congresso extraordinário e pôr fim à crise interna, que passa pela remoção do presidente”, afirmou.
Comissão Nacional de Gestão quer imprimir novo rumo à Renamo
A Comissão Nacional de Gestão foi criada na sequência da Primeira Conferência Nacional de Desmobilizados da Renamo, realizada em Setembro do ano passado, em Chimoio, província de Manica. O encontro reuniu figuras históricas e quadros influentes do partido, muitos dos quais manifestaram descontentamento com a condução actual da organização.
Ao justificar a criação do órgão, Edgar Silva foi directo e sem rodeios, deixando claro que a CNG se vê como uma alternativa funcional à liderança vigente.
“Criámos a Comissão Nacional de Gestão para assegurar o dinamismo político do partido, num contexto em que o sistema ossofista demonstra falhas evidentes”, declarou.
Congresso extraordinário no horizonte
Embora a Renamo ainda não tenha avançado uma data concreta para o congresso extraordinário, a reunião da Matola é vista como um passo determinante para acelerar esse processo. Internamente, cresce a pressão para uma redefinição clara da liderança, numa altura em que o partido enfrenta desafios eleitorais, organizativos e de credibilidade pública.
Analistas políticos ouvidos por este jornal consideram que o desfecho deste processo poderá reposicionar a Renamo no xadrez político nacional, ou aprofundar ainda mais as divisões, caso não haja consensos mínimos.
Um teste à sobrevivência política
Mais do que uma simples reunião partidária, o encontro da Matola representa um teste à capacidade da Renamo de resolver os seus conflitos internamente e recuperar o seu papel histórico como principal força da oposição em Moçambique.
O que sair deste encontro poderá definir não apenas o futuro de Ossufo Momade, mas também a viabilidade política do partido nos próximos anos.
A Renamo conseguirá reencontrar unidade ou caminha para uma fragmentação irreversível?
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