sábado, fevereiro 14, 2026
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Burkina Faso trava plano para assassinar Ibrahim Traoré e revela bastidores de tentativa de golpe com financiamento externo

Autoridades expõem conspiração que previa execuções seletivas, explosivos e envolvimento de redes militares e civis para desestabilizar o Sahel

Burkina Faso voltou ao centro das atenções geopolíticas africanas depois de o Governo confirmar o desmantelamento de uma tentativa de golpe de Estado que tinha como objectivo central o assassinato do Presidente Ibrahim Traoré e a eliminação de altas figuras do aparelho estatal. As revelações foram feitas esta quarta-feira (7) pelo ministro da Segurança, Mahamadou Sana, num pronunciamento televisionado que expôs detalhes sensíveis da operação frustrada.

Segundo Sana, o plano foi neutralizado no dia 3 de Janeiro, graças à actuação combinada dos serviços de inteligência e das forças de defesa. A conspiração, afirmou, estava bem estruturada, financiada a partir do exterior e envolvia tanto militares quanto civis, com a intenção clara de provocar o caos interno e abrir caminho para uma intervenção militar estrangeira no país do Sahel.

Um ataque cirúrgico planeado para a noite

De acordo com as autoridades, o atentado estava marcado para as 23 horas, horário local. O plano previa assassinatos selectivos de dirigentes civis e militares, começando pelo próprio Chefe de Estado. Ibrahim Traoré seria eliminado a tiros ou através de explosivos colocados na sua residência oficial.

“Tratava-se de uma operação de alto risco, pensada ao pormenor”, indicou Sana, sublinhando que o objectivo era decapitar o comando do Estado em poucas horas.

Entre as acções previstas constava ainda a neutralização de uma base estratégica de drones, medida que visava impedir qualquer resposta rápida das forças governamentais.

Duas redes, um só objectivo: derrubar o poder

As investigações revelaram a existência de duas estruturas paralelas dentro da conspiração:

Rede militar

Responsável por recrutar efectivos uniformizados e formar grupos de acção armada encarregados das execuções e do controlo de pontos estratégicos.

Rede civil

Dedicada à mobilização de civis que acompanhariam os golpistas, criando a aparência de um levantamento popular e ampliando o clima de instabilidade.

Esta engenharia tinha um propósito político claro: legitimar pressões externas e justificar uma eventual intervenção internacional.

Dinheiro vindo de fora e um nome-chave

As autoridades apontam o ex-tenente-coronel Paul-Henri Sandaogo Damiba como o principal mentor da operação. Segundo o ministro da Segurança, Damiba teria concebido o plano, coordenado os contactos e assegurado o financiamento.

Parte significativa dos fundos, explicou Sana, veio do exterior, com destaque para uma transferência recente de 70 milhões de francos CFA provenientes da Costa do Marfim, o equivalente a cerca de 125 mil dólares norte-americanos. O dinheiro destinava-se a sustentar a logística e a escalada do conflito.

Mobilização popular frustra a conspiração

Um dos pontos destacados pelo Governo foi a reacção popular em Ouagadougou na noite em que o ataque deveria ocorrer. Cidadãos mobilizaram-se espontaneamente para proteger o Presidente e demonstrar apoio às instituições, factor que contribuiu para o fracasso do plano.

Apesar disso, Sana apelou à população para manter a calma, vigilância e discernimento, alertando para tentativas de manipulação destinadas a empurrar civis contra a ordem constitucional vigente.

O pano de fundo regional e o factor Sahel

A tentativa de golpe ocorre num momento delicado, em que Burkina Faso, Mali e Níger aprofundam um projecto político conjunto através da Associação dos Estados do Sahel (AES). A iniciativa, de inspiração anti-colonial e pan-africanista, visa reforçar a soberania regional e reduzir a dependência de antigas potências coloniais.

Entre as medidas já anunciadas pela AES estão:

  • Criação de um banco de desenvolvimento regional
  • Implementação de um passaporte unificado
  • Lançamento de uma rádio e televisão do Sahel
  • Melhoria das ligações aéreas e ferroviárias
  • Estímulo ao comércio intra-regional
  • Formação de uma força militar conjunta de 5 mil soldados para combater grupos armados

Os três países também assumiram o compromisso de apoio militar mútuo caso qualquer deles tenha a sua soberania ameaçada por actores externos.

estabilidade sob pressão

O fracasso desta tentativa de golpe expõe não apenas fragilidades internas, mas também as tensões geopolíticas que rodeiam o novo eixo do Sahel. O Governo garante que a situação está sob controlo e que todos os envolvidos serão responsabilizados, mas o episódio levanta uma questão incontornável: até que ponto projectos de soberania africana continuarão a enfrentar resistência externa?

O que você pensa sobre este caso e o rumo político do Sahel? Deixe a sua opinião nos comentários e partilhe este artigo.

 

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