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Agente da PRM detida em Xai-Xai com bens roubados e marfim ilegal em casa

Caso expõe suspeitas de receptação, tráfico de espécies protegidas e reacende debate sobre integridade nas forças de segurança

Uma agente da Polícia da República de Moçambique (PRM) foi detida na cidade de Xai-Xai, província de Gaza, após a descoberta de bens roubados e uma ponta de marfim na residência onde vive. A detenção ocorreu no bairro 5, na sequência de uma denúncia formal apresentada por um cidadão vítima de furto.

A operação, conduzida por equipas da própria PRM, resultou na recuperação de vários artigos domésticos, entre eles quatro televisores, ferros de construção, uma botija de gás, uma ventoinha e outros bens cuja proveniência levanta fortes indícios de ilícito criminal.

Mas foi a apreensão de uma ponta de marfim, material cuja posse e circulação são proibidas por lei, que deu maior gravidade ao processo.

O que foi encontrado na residência

Segundo fontes policiais, os bens estavam guardados na mesma casa onde reside a agente agora indiciada. Para além dos objectos roubados, a presença de marfim introduz uma nova dimensão ao caso, por se tratar de um crime ambiental, associado ao tráfico de espécies protegidas.

A legislação moçambicana é clara: a posse de marfim constitui crime, independentemente da quantidade, podendo resultar em penas severas de prisão e multa.

Defesa da agente e versão apresentada

Ouvida pelas autoridades, a agente nega qualquer envolvimento directo, afirmando que os bens teriam sido encontrados no quarto do seu irmão, actualmente em fuga e apontado como principal suspeito.

A arguida sustenta que desconhecia a origem dos objectos e rejeita qualquer ligação a redes de furto ou tráfico.

Casa já referenciada por actividades ilícitas

Apesar da negação, a PRM revelou um dado relevante: a residência já era conhecida pelas autoridades como ponto frequente de recepção de bens roubados. O local teria sido alvo de intervenções policiais anteriores, com advertências claras aos moradores para cessarem práticas ilegais.

Este histórico pesa contra a versão apresentada e será considerado no processo de instrução criminal.

Investigações em curso e procura do suspeito

As autoridades confirmam que as investigações continuam, com dois objectivos centrais:

  • Apurar o grau real de envolvimento da agente da PRM
  • Localizar e deter o irmão, considerado peça-chave no esquema

A corporação garante que o processo seguirá os trâmites legais normais, sem privilégios ou interferências.

 “Ninguém está acima da lei”, garante a PRM

Em comunicado, a PRM foi taxativa: a condição de agente policial não confere imunidade. O comando provincial sublinha que o caso será tratado com rigor, transparência e responsabilidade, como forma de preservar a credibilidade da instituição.

Casos como este voltam a levantar uma questão sensível no país: até que ponto as forças de segurança conseguem expurgar práticas criminosas dentro das próprias fileiras?

A detenção desta agente em Xai-Xai não é apenas um caso isolado de polícia. É um teste à seriedade das instituições, à aplicação efectiva da lei e à luta contra crimes que vão do furto doméstico ao tráfico de marfim. O desfecho do processo dirá muito sobre o compromisso real do Estado com a legalidade.

O que pensa sobre este caso? A PRM está a agir com firmeza suficiente?
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