domingo, fevereiro 15, 2026
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União Europeia retira Moçambique da lista negra financeira e abre caminho para nova fase económica

Decisão entra em vigor a 29 de Janeiro e alivia restrições bancárias que penalizavam o País desde 2023

Moçambique deixa, oficialmente, de constar na lista da União Europeia (UE) de jurisdições de alto risco em matéria de branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo. A decisão, anunciada a 9 de Janeiro, entra em vigor no próximo 29 de Janeiro e representa um marco relevante na reposição da credibilidade financeira do País junto aos parceiros internacionais.

A exclusão coloca Moçambique ao lado de outros cinco países africanos — África do Sul, Burkina Faso, Mali, Nigéria e Tanzânia — que também deixaram de ser classificados como jurisdições problemáticas pelo bloco europeu.

Um sinal político e financeiro com peso real

Durante quase dois anos, a presença de Moçambique nesta lista impôs custos elevados, atrasos e obstáculos operacionais às transacções realizadas com instituições financeiras europeias. Bancos e empresas nacionais enfrentavam exigências adicionais de verificação, aprovação ao mais alto nível e fornecimento exaustivo de documentação, o que tornava qualquer operação mais lenta e cara.

Com a decisão agora tomada, o cenário muda de forma concreta.

Segundo a Comissão Europeia, os países retirados da lista “reforçaram significativamente a eficácia dos seus sistemas de combate ao branqueamento de capitais e ao financiamento do terrorismo”, colmatando deficiências técnicas previamente identificadas pelo Grupo de Acção Financeira Internacional (FATF).

Da lista cinzenta do FATF à normalização com a Europa

Moçambique foi incluído na lista da UE na sequência da sua entrada, em Fevereiro de 2023, na chamada lista cinzenta do FATF, que reúne países sob vigilância reforçada por fragilidades nos seus sistemas financeiros.

Essa classificação obrigou o Estado moçambicano a acelerar reformas legais, reforçar instituições de supervisão e alinhar procedimentos nacionais com padrões internacionais.

O esforço deu frutos.

Em Outubro de 2025, o FATF retirou Moçambique da lista cinzenta, reconhecendo o cumprimento dos compromissos assumidos. Pouco depois, o Reino Unido seguiu o mesmo caminho, removendo o País da sua própria lista de jurisdições de alto risco. A decisão da União Europeia surge agora como consequência directa desse processo.

 

Menos desconfiança, mais oportunidades

Apesar do avanço, Bruxelas faz um aviso claro: a retirada da lista não elimina automaticamente todos os entraves. As instituições financeiras europeias mantêm autonomia para avaliar riscos e decidir se ajustam — ou não — os seus mecanismos internos de controlo.

Ainda assim, o impacto é significativo.

A exclusão melhora o perfil reputacional de Moçambique no sistema financeiro internacional, podendo traduzir-se em:

  • maior fluxo de investimento estrangeiro
  • redução dos custos de transacção
  • maior agilidade nos pagamentos internacionais
  • reforço da confiança de bancos correspondentes e parceiros comerciais

Num contexto económico marcado por restrições fiscais e necessidade urgente de capital externo, esta decisão tem peso estratégico.

Um ciclo que se fecha — e outro que começa

A saída da lista europeia encerra um ciclo de monitoria internacional exigente, iniciado com a inclusão de Moçambique na lista cinzenta do FATF. Foi um período de pressão, reformas forçadas e escrutínio constante, mas que acabou por produzir resultados concretos.

O desafio agora é outro: manter os padrões, evitar retrocessos e transformar credibilidade regulatória em crescimento económico real.

A confiança internacional recupera-se com reformas. Mantém-se com consistência.

A decisão da União Europeia não é um favor político nem um gesto simbólico. É o reconhecimento de que Moçambique corrigiu falhas sérias num dos sectores mais sensíveis da economia global. O País ganha margem, reputação e oportunidades. Resta saber se saberá usar este novo espaço com responsabilidade e visão estratégica.

A pergunta que fica é simples: Moçambique vai consolidar este ganho ou permitir que o ciclo de desconfiança volte a repetir-se?

O que pensa sobre esta decisão da União Europeia? Acredita que terá impacto real na economia nacional? Deixe a sua opinião nos comentários e partilhe este artigo.

 

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