Telefonema de 45 minutos antecipa Comissão de Alto Nível e expõe interesses geopolíticos, comerciais e diplomáticos entre Brasília e Moscovo
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, mantiveram uma conversa telefónica estratégica na quarta-feira, 14 de janeiro, para alinhar os detalhes finais da 8.ª Comissão Bilateral de Alto Nível Brasil–Rússia (CAN), marcada para o próximo 5 de fevereiro, em Brasília.
A ligação, que durou cerca de 45 minutos, foi muito além de formalidades diplomáticas. Serviu para ajustar expectativas políticas, definir o nível de representação russa e reafirmar prioridades comuns num cenário internacional marcado por tensões, realinhamentos e disputas de influência.
Reunião híbrida e delegação russa em Brasília
A 8.ª CAN será realizada em formato híbrido, com presença física e participação virtual. A pedido direto de Lula, Putin confirmou que Moscovo enviará uma delegação de alto nível à capital brasileira, sinal claro de que a relação bilateral segue como prioridade para o Kremlin.
A comissão será copresidida pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e pelo primeiro-ministro russo, Mikhail Mishustin, o que reforça o peso político do encontro.
Áreas estratégicas em jogo
Entre os principais eixos da cooperação discutidos pelos dois chefes de Estado estão:
- Comércio bilateral e investimentos
- Agricultura e segurança alimentar
- Energia e recursos naturais
- Defesa e indústria militar
- Ciência, tecnologia e inovação
- Educação, cultura e intercâmbio académico
São sectores onde Brasil e Rússia veem margem real para aprofundar parcerias, sobretudo num contexto de diversificação de alianças globais.
Venezuela, paz regional e o papel dos BRICS
Durante a conversa, Lula e Putin manifestaram preocupação com a situação política e social da Venezuela, defendendo que a América do Sul e o Caribe devem permanecer como zonas de paz, livres de escaladas militares e interferências externas.
Os dois líderes também convergiram na defesa do fortalecimento do BRICS como bloco político e económico capaz de reformular a governança global, com destaque para a reforma das Nações Unidas e do Conselho de Segurança da ONU, tema recorrente na diplomacia brasileira.
Um diálogo que vai além do protocolo
Fontes diplomáticas indicam que o telefonema incluiu uma troca franca de impressões sobre o estado do mundo, os conflitos em curso e os impactos diretos dessas crises nas economias emergentes.
Mais do que um gesto simbólico, o contacto direto entre Lula e Putin revela uma tentativa clara de reposicionar o Brasil como ator relevante em múltiplos tabuleiros internacionais, sem alinhamentos automáticos, mas com pragmatismo estratégico.
Conclusão
A conversa entre Lula e Putin confirma que a relação Brasil–Rússia entra em fevereiro com densidade política, agenda concreta e interesses bem definidos. Num mundo cada vez mais fragmentado, Brasília e Moscovo apostam no diálogo direto, em estruturas bilaterais sólidas e em alianças que desafiam a lógica tradicional de poder.
Até que ponto essa aproximação pode reposicionar o Brasil no xadrez geopolítico global?
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