Confronto silencioso entre forças de segurança levanta suspeitas de conivência e expõe fraturas internas no aparelho do Estado
A cidade da Matola, província de Maputo, viveu na noite desta terça-feira momentos de elevada tensão policial, após o Comando Provincial da Polícia da República de Moçambique (PRM), localizado no bairro do Fomento, ter sido cercado por homens armados à paisana, alegadamente pertencentes ao Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC).
O episódio, acompanhado no terreno por uma equipa da TV Sucesso, ocorreu a escassos 200 metros do comando, nas imediações do conhecido bar do Fencial, e envolveu uma perseguição policial que rapidamente escalou para um impasse entre duas forças do Estado.
Perseguição termina dentro do comando da PRM
Segundo informações recolhidas no local, dois indivíduos estavam a ser perseguidos por agentes que tudo indica serem do SERNIC, no âmbito de investigações relacionadas com um crime recente que resultou na morte de um cidadão identificado como João Paulo, residente na mesma zona.
Durante a fuga, um dos suspeitos terá entrado no interior do comando provincial da PRM, facto que desencadeou uma situação considerada anómala e altamente sensível.
Os agentes do SERNIC tentaram obter autorização para entrar no recinto e proceder à detenção, mas encontraram resistência, o que levou à concentração de vários homens armados à paisana nas imediações do comando.
Troca de olhares, armas à vista e risco de confronto
No local, o ambiente tornou-se rapidamente volátil. Elementos da PRM posicionaram-se para impedir a aproximação dos agentes à paisana, enquanto uma força conjunta de reforço foi mobilizada para proteger o comando.
A equipa da TV Sucesso, que inicialmente se encontrava próxima do epicentro da ocorrência, foi aconselhada a retirar-se com urgência, devido ao risco iminente de troca de tiros.
“Fomos avisados de forma clara para sair do local. A tensão era real e o risco de fogo cruzado não podia ser descartado”, relatou o jornalista Alcides Novunga, em direto a partir da Matola.
Suspeitas de proteção e tentativa de “limpar o nome”
O episódio ganhou contornos ainda mais delicados devido a informações que circulam no terreno, apontando para uma possível tentativa de proteção dos suspeitos que se refugiaram no comando provincial.
Recorde-se que, aquando do assassinato de João Paulo, surgiram rumores nas redes sociais e em círculos informais de que agentes do SERNIC poderiam estar envolvidos no crime. Fontes indicam que a atual operação visa precisamente desmentir essas acusações, através da localização e detenção dos verdadeiros autores.
No entanto, o facto de os suspeitos terem encontrado abrigo numa unidade policial levantou sérias interrogações sobre conivência, falhas de coordenação e disputas internas entre instituições que deveriam atuar de forma articulada.
Situação em desenvolvimento
Até ao momento do fecho deste artigo, a situação permanecia indefinida. Viaturas descaracterizadas, homens fortemente armados e movimentos táticos continuavam a ser registados na zona do Fomento.
A TV Sucesso mantém-se de plantão e promete atualizar o público caso ocorram novos desenvolvimentos nas próximas horas.
Quando o Estado entra em conflito consigo próprio
Mais do que um episódio policial, o que se passou na Matola expõe fragilidades profundas na coordenação das forças de segurança e alimenta a perceção pública de opacidade, disputas internas e falta de comando unificado.
Num país onde a confiança nas instituições é constantemente testada, episódios como este não passam despercebidos e exigem explicações claras, públicas e responsáveis.
❓ Fica a pergunta:
Quem protege quem quando a lei parece dividir os próprios guardiões da ordem?
O que pensa sobre este episódio?
Acredita que houve tentativa de encobrimento ou apenas falhas operativas graves? Deixe a sua opinião nos comentários e partilhe este artigo.