Reunião tensa expõe acusações de ilegitimidade, exclusões internas e silêncio da liderança provincial, colocando em risco a coesão do partido num dos seus principais redutos eleitorais
QUELIMANE – O partido ANAMOLA vive um dos momentos mais delicados desde a sua implantação na província da Zambézia. Uma reunião realizada na sede da delegação provincial, em Quelimane, acabou por escancarar fissuras profundas na estrutura interna, com coordenadores distritais e militantes a contestarem publicamente a atual liderança interina.
No centro da crise está Marta Pavor, que assume interinamente a condução do partido na província. Para um grupo significativo de quadros e bases, a sua permanência no cargo representa mais um fator de instabilidade do que de união.
Contestação ganha corpo e sai dos bastidores
O descontentamento, que vinha sendo discutido em círculos fechados, tornou-se público e organizado. Militantes afirmam que já não se trata de divergências pontuais, mas de um problema estrutural que ameaça o funcionamento do partido na Zambézia.
Durante a reunião, os participantes apontaram três questões centrais que, segundo eles, estão a fragilizar o ANAMOLA na província.
Falta de legitimidade na liderança provincial
A primeira crítica recai sobre a forma como a atual coordenação assumiu funções. Os contestatários defendem que não houve eleição interna, nem consulta às bases, o que violaria os estatutos e práticas democráticas do próprio partido.
“Não se pode falar de disciplina partidária quando a liderança nasce fora do voto”, resumiu um dos coordenadores distritais, sob anonimato.
Para este grupo, a ausência de legitimidade mina qualquer tentativa de mobilização política ou organização eleitoral.
Denúncias de exclusão e estruturas paralelas
A segunda acusação é ainda mais sensível. Militantes relatam exclusões deliberadas em processos de votação distrital e a criação de estruturas paralelas, vistas como instrumentos para controlar decisões internas e neutralizar vozes críticas.
Essas práticas, dizem, estão a dividir a base do partido em vários distritos, alimentando desconfiança e rivalidades locais — um cenário perigoso num contexto pré-eleitoral.
Reclamações ignoradas pela hierarquia
O terceiro ponto refere-se ao silêncio da direção. Segundo os contestatários, várias exposições formais foram enviadas tanto à direção provincial como à nacional, sem qualquer resposta até ao momento.
A ausência de diálogo é interpretada como sinal de desvalorização das preocupações das bases e reforça a perceção de que o conflito está a ser empurrado para debaixo do tapete.
Apelo direto a Venâncio Mondlane
Diante do impasse, os militantes decidiram subir o tom. O grupo faz agora um apelo direto ao presidente do ANAMOLA, Venâncio Mondlane, pedindo a sua intervenção pessoal para mediar o conflito.
A Zambézia é vista internamente como um círculo eleitoral estratégico, tanto pelo peso demográfico como pelo simbolismo político. Para os contestatários, permitir que o partido chegue dividido às próximas batalhas políticas seria um erro grave.
Silêncio oficial aumenta incertezas
Até ao fecho deste artigo, a direção provincial do ANAMOLA na Zambézia não reagiu às acusações. As tentativas de contacto não obtiveram resposta, alimentando ainda mais o clima de tensão e especulação.
Do lado dos militantes, a posição é clara: não haverá recuo. Eles defendem que apenas eleições internas transparentes e inclusivas podem restaurar a confiança e devolver estabilidade à estrutura partidária.
Um teste à maturidade política do partido
Mais do que um conflito local, o caso de Quelimane coloca à prova a capacidade do ANAMOLA de gerir divergências internas, respeitar as suas próprias regras e preservar a unidade num momento decisivo.
Se não for tratado com rapidez e transparência, o impasse pode transformar-se num precedente perigoso, com impactos diretos no desempenho político do partido dentro e fora da Zambézia.
Resta saber: a liderança nacional vai intervir a tempo ou o partido arrisca aprofundar divisões que podem custar caro no futuro?
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Crise no ANAMOLA na Zambézia expõe divisões internas, acusações de ilegitimidade e apelo à intervenção de Venâncio Mondlane.