sábado, fevereiro 14, 2026
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Cheias históricas levam Presidente e Governo ao terreno em Gaza e Maputo para avaliar estragos

Em Xai-Xai, Conselho de Ministros debate impacto das inundações e traça linhas do plano nacional de reconstrução

O Presidente da República e vários membros do Governo estão no terreno, nas províncias de Gaza e Maputo, para avaliar de perto os danos provocados pelas cheias que atingiram vastas zonas do país nas últimas semanas. A deslocação marca uma viragem decisiva: sai-se da fase de resposta imediata para a avaliação rigorosa dos prejuízos e preparação da reconstrução.

No centro desta agenda está a cidade de Xai-Xai, capital da província de Gaza, onde o Executivo realiza a segunda sessão ordinária do Conselho de Ministros de 2026. As cheias dominam os debates, com foco na dimensão real dos estragos, na eficácia das acções de emergência em curso e nas medidas estruturais para mitigar futuros impactos.

Governo desce ao terreno para ver “com os próprios olhos”

Segundo informação oficial, cada ministro foi instruído a verificar directamente os danos na sua área de tutela, evitando relatórios frios e distantes da realidade vivida pelas populações. A orientação é clara: observar, ouvir e medir.

Em paralelo, equipas multissectoriais especializadas estão a ser mobilizadas para avaliações técnicas aprofundadas. Esses dados vão alimentar o Plano Global de Reconstrução Pós-Cheias e Inundações, considerado crucial para recuperar infra-estruturas, reassentar famílias e relançar a actividade económica nas zonas afectadas.

Gaza entre as províncias mais castigadas

As cheias são descritas, ainda de forma preliminar, como das mais severas já registadas em Moçambique. A província de Gaza surge no epicentro da tragédia, com Chókwè, Guijá, Chibuto, Limpopo e Xai-Xai entre os distritos mais afectados por inundações extensas.

Também a província e a cidade de Maputo registaram impactos significativos, reforçando o carácter transversal do desastre.

No dia 17 de Janeiro, o Presidente da República sobrevoou Gaza e Sofala, duas das regiões mais atingidas. Na ocasião, sublinhou que a descida gradual do nível das águas estava finalmente a permitir uma leitura mais fiel da dimensão dos danos, tanto por via aérea como no terreno.

Estradas cortadas expõem fragilidade das infra-estruturas

Um dos exemplos mais reveladores citados pelas autoridades é o troço Incoluane–3 de Fevereiro da Estrada Nacional Número Um (N1). Com o recuo das águas, foi possível identificar seis cortes distintos, provocados pela força das cheias — um retrato cru da vulnerabilidade das infra-estruturas estratégicas do país.

Este cenário reacende o debate sobre resiliência climática, manutenção de vias críticas e planeamento urbano em zonas de risco.

Assistência continua, reconstrução já começou no papel

Enquanto decorrem as avaliações, as acções de assistência humanitária às populações afectadas prosseguem, com foco em abrigo, alimentação, saúde e água potável. Ao mesmo tempo, o Governo prepara o terreno para a fase seguinte: a reconstrução.

A missão governamental acontece num momento sensível, em que as comunidades começam a regressar às zonas inundadas e a confrontar-se com perdas totais de casas, machambas e meios de subsistência.

Um teste à capacidade de resposta do Estado

Mais do que uma visita protocolar, esta deslocação representa um teste à capacidade do Estado moçambicano de transformar diagnóstico em acção concreta. As cheias expuseram fragilidades antigas, mas também criaram uma oportunidade para repensar políticas públicas, ordenamento do território e prevenção de desastres.

A grande questão agora é simples e directa: a reconstrução será apenas correctiva ou verdadeiramente transformadora?

O que pensa sobre a resposta do Governo às cheias em Gaza e Maputo?
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