Trocas de acusações, cartas à direcção nacional e disputas silenciosas pelo controlo local expõem fissuras no jovem partido em Nacala-Porto
Nacala-Porto, uma das praças politicamente mais activas do norte de Moçambique, volta a ser palco de turbulência. Desta vez, o foco não está no confronto entre forças rivais, mas num conflito interno que abala as estruturas do partido ANAMOLA ao nível distrital.
À semelhança do que se assistiu recentemente na RENAMO, também o ANAMOLA enfrenta sinais claros de luta pelo poder interno, com acusações cruzadas, desconfiança e apelos urgentes à direcção nacional.
Coordenador distrital denuncia sabotagem interna
No centro da polémica está Abubacar Momade Cassimo, coordenador distrital do ANAMOLA em Nacala-Porto, eleito — segundo garante — pela maioria dos membros locais. Em carta formal enviada à direcção nacional, Cassimo afirma estar a ser alvo de manobras de sabotagem política, alegadamente protagonizadas por figuras de peso do partido a nível provincial e regional.
Entre os visados estão o delegado provincial do ANAMOLA em Nampula, Castro Niquina, o mobilizador regional Raúl Novinte — antigo edil de Nacala-Porto pela RENAMO — e o propagandista MC Bandeira.
De acordo com o documento, o coordenador distrital diz sentir-se ameaçado e denuncia a realização de reuniões paralelas, supostamente com o objectivo de o afastar da liderança local, sem o seu conhecimento ou consentimento.
Pedido de intervenção urgente e medidas disciplinares
Na mesma correspondência, Abubacar Cassimo solicita o envio urgente de uma comissão nacional para apurar os factos no terreno e repor a ordem interna. Vai mais longe: defende a aplicação de sanções disciplinares contra os membros que considera estarem a comprometer a coesão e a imagem do partido em Nacala-Porto.
O coordenador aponta ainda o dedo à mobilizadora Bahat Ali, acusando-a de desenvolver actividades que, no seu entender, fragilizam as acções políticas do ANAMOLA no distrito.
Apesar do clima tenso, uma fonte interna garante que a base do partido continua activa e mobilizada, mantendo a participação regular nas actividades políticas e organizativas, sem sinais evidentes de ruptura generalizada.
Silêncio da delegação provincial
A reportagem tentou, por várias vezes, ouvir o delegado provincial Castro Niquina, mas sem sucesso. As chamadas não foram atendidas e não houve retorno até ao fecho deste artigo, mantendo-se o silêncio sobre as acusações que lhe são imputadas.
Raúl Novinte desvaloriza acusações e fala em união
Quem decidiu quebrar o silêncio foi o mobilizador regional Raúl Novinte, que rejeita de forma frontal as alegações feitas por Abubacar Cassimo. Para Novinte, o episódio não passa de uma tentativa de reorganização interna mal interpretada.
“Isso tudo não passa de uma arrumação do tal coordenador”, afirmou, em tom seco.
Raúl Novinte sublinha que tanto ele como MC Bandeira estão focados num único objectivo: fortalecer a unidade e a coesão interna do ANAMOLA. Segundo disse, não existe qualquer conspiração ou tentativa de golpe interno.
“Estamos a trabalhar para a união e coesão do partido. Quem quiser perceber melhor a realidade, que ouça outras pessoas em Nacala. O Bandeira e eu trabalhamos juntos, sempre em prol da união do partido”, declarou.
Um teste de maturidade para o ANAMOLA
Este episódio surge num momento sensível para o ANAMOLA, um partido ainda em fase de afirmação nacional, onde a gestão de divergências internas pode definir o seu futuro político. Em contextos como este, a forma como a direcção nacional reage tende a ser determinante para evitar fracturas mais profundas.
Resta agora saber se a liderança central vai intervir, investigar as denúncias e clarificar quem, de facto, controla o jogo político em Nacala-Porto — e a que custo.
Será esta apenas uma crise passageira ou o prenúncio de divisões mais sérias dentro do ANAMOLA?
O que pensa sobre este conflito interno no ANAMOLA?
Acredita que se trata de uma luta legítima por organização ou de uma disputa aberta pelo poder?
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