Justo Mulémbwè foi achado sem vida na manhã de sábado; Polícia fala em possível asfixia, mas investigações continuam
A morte do Juiz Presidente do Tribunal Judicial da Província de Tete, Justo Mulémbwè, está a gerar forte comoção no sector da justiça e a levantar questões sensíveis numa província já marcada por desafios institucionais profundos.
O magistrado, de 49 anos, foi encontrado sem sinais vitais no interior da sua viatura, na manhã de sábado, após um alerta feito às autoridades por volta das 08h00, segundo confirmou a Polícia da República de Moçambique (PRM).
🚨 Alerta mobilizou várias forças de segurança
De acordo com o comunicado policial, uma força multissectorial — composta por agentes da PRM, do SERNIC e da Polícia Municipal — deslocou-se de imediato ao local. No interior de uma viatura Toyota Ractis, branca, com matrícula AAC-928-TT, estacionada com as portas fechadas, estava o corpo do magistrado.
A morte foi confirmada no local.
🧑⚖️ Quem era Justo Mulémbwè
Justo Mulémbwè era natural da província de Niassa, solteiro e residente na cidade de Tete. Exercia, desde Junho de 2024, as funções de Juiz Presidente do Tribunal Judicial da Província, um cargo de elevada responsabilidade num dos principais pilares do sistema judicial moçambicano.
A sua ascensão ao cargo ocorreu num período em que o sector da justiça enfrenta pressões internas, escrutínio público e exigências crescentes de transparência.
🕙 Últimas horas antes da morte
Informações recolhidas junto de trabalhadores de um hotel, citadas pela PRM, indicam que o juiz esteve no local na noite de sexta-feira (30), por volta das 22h00, em convívio social.
Segundo os relatos, Mulémbwè terá manifestado indisposição física, afirmando que precisava descansar. De seguida, dirigiu-se à sua viatura, onde acabou por permanecer durante toda a noite.
Um segurança do estabelecimento, ouvido pela TV Miramar, confirmou que o magistrado chegou ao local cerca das 23h00, apresentando sinais de já ter consumido bebidas alcoólicas, tendo permanecido algum tempo antes de se recolher ao carro.
⚠️ Asfixia é hipótese, mas nada está fechado
Quanto às causas da morte, a PRM refere que, após a perícia preliminar, existe a presunção de asfixia, mas sublinha que as investigações ainda decorrem.
Contactada pela Miramar, a porta-voz do SERNIC em Tete, Celina Roque, confirmou o óbito, mas recusou avançar detalhes adicionais, garantindo que a instituição só se pronunciará oficialmente após a conclusão das diligências investigativas.
O corpo foi removido do local e encaminhado ao Hospital Provincial de Tete, acompanhado por familiares, para a realização dos exames e procedimentos legais previstos na lei.
⚖️ Morte que expõe fragilidades e gera inquietação
A morte súbita de um Juiz Presidente em exercício, em circunstâncias ainda pouco claras, não é um facto menor. Num contexto em que a justiça moçambicana enfrenta défice de confiança pública, acusações de interferência política e limitações estruturais, o caso ganha inevitável dimensão institucional.
Mais do que um episódio trágico, trata-se de um acontecimento que exige transparência absoluta, rigor investigativo e comunicação clara por parte das autoridades.
🔍 O que ainda falta esclarecer
- O que causou, de facto, a asfixia?
- Houve falha mecânica, intoxicação ou outro factor externo?
- O local e o contexto foram devidamente preservados?
- Quando exatamente ocorreu a morte?
Estas são perguntas legítimas que só poderão ser respondidas com resultados oficiais e públicos.
Conclusão
A morte de Justo Mulémbwè deixa um vazio na magistratura e lança uma sombra de dúvidas que não pode ser ignorada. Num Estado de Direito, a verdade não é opcional — é uma obrigação.
Enquanto o país aguarda os resultados finais da investigação, permanece uma questão essencial: será este caso tratado com a transparência que a função do falecido magistrado exige?
O que você pensa sobre este caso?
Acredita que as autoridades vão esclarecer totalmente as circunstâncias da morte?
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