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Cheias arrasam estradas e Governo admite: são precisos 3,5 mil milhões de dólares para reconstruir a rede nacional

Da EN1 às vias regionais, os estragos causados pelas chuvas expõem fragilidades antigas e colocam pressão inédita sobre o orçamento público

Moçambique enfrenta um dos maiores desafios de infraestruturas da última década. As cheias severas que atingiram várias regiões do país destruíram extensos troços da rede rodoviária nacional, obrigando o Governo a admitir a necessidade de 3,5 mil milhões de dólares norte-americanos para repor estradas estratégicas, com destaque para a Estrada Nacional Número Um (EN1).

A revelação foi feita pelo ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, à margem das celebrações do Dia dos Heróis Moçambicanos, num momento em que a conectividade rodoviária continua fragilizada em vários pontos do país.

De 1,2 para 3,5 mil milhões: a factura das cheias

Segundo o governante, o Executivo tinha aprovado em 2025 um plano de intervenção avaliado em 1,2 mil milhões de dólares, destinado sobretudo à reabilitação de troços críticos da EN1 e de algumas estradas regionais. No entanto, os danos provocados pelas chuvas intensas alteraram drasticamente o cenário.

“Com os estragos recentes, o custo total necessário para repor toda a rede rodoviária nacional ascende agora a 3,5 mil milhões de dólares. É este o valor que estamos a mobilizar no mercado”, afirmou Matlombe.

O montante reflecte não apenas a reconstrução de estradas destruídas, mas também obras de emergência, contenção de águas, reforço de pontes e soluções provisórias para manter o país ligado de norte a sul.

EN1 sob pressão e soluções de curto prazo

A EN1, principal eixo rodoviário do país, voltou a ser severamente afectada, sobretudo na ligação sul. Para aliviar a situação, o ministro confirmou que a via alternativa de Chibuto já se encontra operacional.

Equipas técnicas continuam no terreno a executar intervenções pontuais, com o objectivo de reduzir a pressão da água, estabilizar o solo e permitir a circulação de viaturas.

“Estamos num processo de transição controlada para garantir maior fluidez e integração rodoviária com a província de Gaza”, explicou.

Xai-Xai–Maputo: Governo mantém calendário

Questionado sobre a reposição da ligação Xai-Xai–Maputo, interrompida desde 18 de Janeiro devido ao aumento do caudal do rio Incomáti e às inundações no troço entre 3 de Fevereiro e Incoluane, na província de Maputo, Matlombe garantiu que não há alterações no calendário.

A previsão oficial aponta para a retoma da circulação na quarta-feira, 4 de Fevereiro, apesar das dificuldades no terreno.

Ferrovia sul–norte: logística acima de passageiros

Sobre o projecto de ligação ferroviária sul–norte, o ministro foi claro: a malha ferroviária moçambicana foi desenhada, desde a origem, para transporte de carga e logística, não para passageiros.

“O objectivo é conectar o país do ponto de vista logístico. Este programa está no plano do Governo e será implementado, independentemente de mudanças ministeriais”, assegurou.

A afirmação surge num contexto de debate público sobre prioridades de investimento em transportes e integração territorial.

Cartas de condução: falhas admitidas e promessa de preços mais baixos

Matlombe reconheceu ainda deficiências graves no sistema de marcação de exames de condução entre Outubro e Dezembro de 2025, problema que gerou queixas generalizadas.

Como resposta, o Governo diz estar a avançar com a modernização do INATRO, incluindo:

  • emissão digital de cartas de condução;
  • integração de livretes e registos de propriedade;
  • instalação de câmaras de vigilância nos serviços.

A promessa é ambiciosa: tudo deverá estar operacional até ao final do primeiro semestre de 2026. O ministro garantiu ainda que o preço da carta de condução vai baixar, com taxas fixadas pelo Governo.

“Estamos a lutar pelo interesse público. A carta de condução não continuará com o preço actual”, afirmou.

Infraestruturas, clima e escolhas políticas

A crise actual volta a expor uma realidade incontornável: Moçambique é cada vez mais vulnerável a fenómenos climáticos extremos, e a resposta do Estado exige investimentos robustos, planeamento de longo prazo e transparência na execução.

“O mais importante é executar ideias que beneficiem o país, independentemente de quem as propôs”, concluiu o ministro.

A questão que fica é simples, mas incómoda: o país tem capacidade financeira, técnica e institucional para transformar esta crise numa oportunidade de reconstrução sustentável?

O que pensa sobre este cenário?
As estradas devem continuar a ser reconstruídas da mesma forma ou é tempo de mudar o modelo?

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