sábado, fevereiro 14, 2026
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Cheias em Moçambique: Mondlane abre delegações do ANAMOLA para acolher vítimas e cobra responsabilização por fundos desviados

Enquanto mais de 100 mil pessoas enfrentam a fúria das inundações, o ex-candidato presidencial transforma estruturas partidárias em refúgios e aponta falhas graves na prevenção de desastres

As cheias que assolam várias regiões de Moçambique continuam a deixar um rasto pesado de destruição, desalojamento e luto. Em resposta à crise humanitária em curso, Venâncio Mondlane, ex-candidato presidencial, anunciou a disponibilização imediata das delegações do partido ANAMOLA como centros de acolhimento para as populações afectadas pelas inundações.

A decisão abrange todas as sete delegações do ANAMOLA espalhadas pelo país, que passam a funcionar como espaços de apoio emergencial para pessoas que perderam as suas casas e meios básicos de sobrevivência.

“Todas as pessoas que estão desamparadas e sem tecto, no âmbito destas cheias, podem recorrer às nossas delegações como centros de ajuda”, afirmou Mondlane, num posicionamento público marcado por tom directo e sem rodeios.

Delegações partidárias transformadas em refúgios

Segundo o dirigente político, a orientação foi clara: abrir portas, acolher famílias e prestar apoio prático, sem burocracia nem discursos vazios. Num contexto em que muitas comunidades continuam isoladas, esta iniciativa surge como resposta imediata num cenário de emergência.

Para além do acolhimento, Mondlane anunciou que a Comissão Executiva do ANAMOLA vai deslocar-se a várias províncias afectadas, com o objectivo de actuar no terreno, acompanhar as vítimas e avaliar necessidades reais.

“Não vamos ficar apenas em comunicados. A comissão executiva estará nas províncias para trabalhos concretos e práticos”, sublinhou.

Críticas duras à gestão dos fundos de prevenção

O anúncio foi também acompanhado por críticas frontais à gestão dos recursos públicos destinados à prevenção de desastres naturais. Mondlane denunciou alegados desvios de fundos, sobretudo em Maputo e noutras províncias, afirmando que houve financiamentos elevados que não se reflectiram em acções eficazes.

“Houve financiamentos astronómicos para prevenção de desastres. O que exigimos agora é responsabilização. Sabe-se muito bem quem são os gestores públicos que desviaram esses fundos”, declarou.

A crítica toca num ponto sensível do debate nacional: a recorrência de tragédias naturais agravadas por falhas humanas, planeamento deficiente e ausência de prestação de contas.

Mais de 100 mil afectados e oito mortos

De acordo com dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), as cheias já afectaram mais de 100 mil pessoas em todo o território nacional, provocando pelo menos oito óbitos. Milhares de famílias encontram-se em situação de vulnerabilidade extrema, sem abrigo, alimentos ou acesso regular a água potável.

As províncias mais afectadas registam perdas significativas em infra-estruturas, agricultura e habitação, agravando ainda mais a pressão sobre comunidades que já viviam em condições precárias.

Solidariedade política ou resposta ao vazio do Estado?

A iniciativa do ANAMOLA reacende o debate sobre o papel dos partidos políticos em momentos de crise humanitária e, sobretudo, sobre a capacidade do Estado em antecipar, mitigar e responder a desastres naturais cada vez mais frequentes.

Num país ciclicamente atingido por cheias e ciclones, a pergunta mantém-se incômoda: quantos alertas serão necessários até que a prevenção deixe de ser apenas uma linha no orçamento?

Enquanto a água continua a subir em várias regiões, gestos concretos ganham peso político e social. A abertura das delegações do ANAMOLA como centros de acolhimento não resolve o problema estrutural, mas expõe fragilidades profundas na governação do risco e na gestão dos recursos públicos. A tragédia repete-se, os discursos também — mas a responsabilização continua a faltar.

Quem deve responder quando fundos de prevenção desaparecem e o povo paga o preço com a própria vida?

O que você pensa sobre esta iniciativa e sobre as denúncias feitas?
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