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Chiquinho Conde fora dos Mambas: decisão técnica ou acerto de contas na FMF?

Fim de contrato do seleccionador reacende suspeitas, silêncios estratégicos e um debate incómodo no futebol moçambicano

A Federação Moçambicana de Futebol (FMF) confirmou, esta terça-feira (28), aquilo que já circulava nos bastidores e havia sido avançado pela Miramar: o contrato do seleccionador nacional, Chiquinho Conde, termina oficialmente a 31 de Janeiro, sem renovação automática nem garantias de continuidade.

A informação, embora formalmente tratada como um acto administrativo, caiu como uma bomba no meio desportivo nacional. Não apenas pelo timing, mas sobretudo pelas entrelinhas. Afinal, estará a FMF apenas a cumprir um ciclo contratual… ou a “ajustar contas” antigas com o técnico que devolveu competitividade aos Mambas?

🔍 FMF confirma saída, mas evita compromissos

Em reunião ordinária da direcção executiva, a FMF analisou o percurso da selecção nacional desde a fase de qualificação até à fase final do Campeonato Africano das Nações (CAN), assim como o desempenho das selecções moçambicanas nas provas da COSAFA.

Segundo o organismo, qualquer decisão sobre a renovação ou substituição do seleccionador dependerá de um balanço global de resultados e do projecto estratégico da federação para os próximos anos.

Na prática, porém, o recado foi claro: Chiquinho Conde está livre — e a FMF também.

“A partir deste momento, o treinador é um técnico livre, e a federação está igualmente livre para tomar qualquer decisão”, declarou Gervásio de Jesus, vice-presidente da FMF.

Sem pressa… mas também sem sinais de continuidade

A federação faz questão de sublinhar que não existe pressão para anunciar um novo seleccionador, uma vez que os Mambas não têm competições oficiais até Setembro.

Esse argumento, contudo, levanta dúvidas legítimas. Se não há urgência competitiva, por que não garantir estabilidade técnica? Por que deixar o cargo em suspenso, alimentando especulações e fragilizando a planificação desportiva?

Nos corredores do futebol nacional, a pergunta repete-se:
o problema é técnico ou político?

Resultados, contexto e uma relação nunca pacífica

É impossível dissociar esta decisão do historial recente entre Chiquinho Conde e a direcção da FMF. Apesar de ter conduzido Moçambique a campanhas competitivas, com momentos de afirmação regional e africana, o seleccionador nunca teve uma relação plenamente harmoniosa com a estrutura federativa.

Houve divergências públicas, silêncios incómodos e sinais claros de desalinhamento institucional. Para alguns analistas, o que está em causa agora não são apenas resultados, mas sim ressentimentos acumulados.

Nomes em circulação? FMF chama de especulação

Quanto aos vários treinadores que já começam a ser apontados como potenciais sucessores, a FMF desvaloriza.

Segundo a direcção, não há qualquer nome confirmado, classificando as informações que circulam na arena desportiva como mera especulação.

Ainda assim, o vazio de comunicação oficial apenas reforça o clima de incerteza — e a percepção de que decisões relevantes estão a ser tomadas longe do escrutínio público.

Mais do que um treinador, uma questão de modelo

A saída de Chiquinho Conde reabre um debate mais profundo:
Que projecto de futebol quer a FMF para Moçambique?

Trocar de treinador sem um rumo claro não resolve problemas estruturais. Pelo contrário, pode perpetuar ciclos de instabilidade que já custaram caro ao futebol nacional no passado.

🔚 Conclusão: fim de ciclo ou erro estratégico?

Formalmente, trata-se do fim de um contrato. Politicamente, pode ser muito mais do que isso.
A forma como a FMF conduziu este processo levanta interrogações legítimas sobre gestão, transparência e visão de longo prazo.

A questão central permanece no ar — incómoda, mas necessária:
Moçambique está a avaliar desempenho… ou a punir desalinhamentos?

E você, o que pensa sobre a saída de Chiquinho Conde da selecção nacional?
Foi uma decisão técnica ou um acerto de contas silencioso?
Deixe a sua opinião nos comentários e partilhe este debate.

 

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