Declarações duras expõem fraturas internas e aprofundam o debate sobre liderança, legalidade e futuro do maior partido da oposição
A crise interna na RENAMO entrou numa nova fase esta semana, depois de a direcção do partido ter reafirmado publicamente que Ossufo Momade continua a ser o único presidente legítimo, rejeitando qualquer tentativa de mudança fora dos mecanismos estatutários.
A posição foi assumida sem ambiguidades por Geraldo Carvalho, chefe do Departamento de Mobilização e Propaganda, que classificou como ilegítimas e perigosas todas as movimentações que visem alterar a liderança do partido à margem do Congresso.
“Neste momento, o único presidente da RENAMO é o general Ossufo Momade. Não há espaço para golpes de liderança”, afirmou Carvalho.
Direcção invoca estatutos e rejeita pressões internas
Falando num tom firme, Geraldo Carvalho sublinhou que Moçambique é um Estado de Direito democrático e que a RENAMO, enquanto partido político, não pode agir fora das regras que ela própria consagrou.
Segundo o dirigente, Ossufo Momade foi eleito em Congresso, o órgão máximo do partido, sendo este o único com legitimidade legal e política para decidir sobre a sua eventual substituição.
“Qualquer tentativa de impor mudanças fora dos órgãos legítimos constitui uma afronta directa à democracia interna e à vontade dos membros”, frisou.
A direcção entende que ceder à pressão de alas internas seria abrir um precedente perigoso, capaz de fragilizar ainda mais a estrutura partidária num momento considerado sensível para a oposição.
Declarações de António Muchanga agravam tensão
O posicionamento de Geraldo Carvalho surge na sequência das declarações públicas de António Muchanga, um dos quadros mais conhecidos da RENAMO, que defendeu, em entrevista a um órgão de comunicação social, que Ossufo Momade deve abandonar a presidência do partido.
A intervenção de Muchanga, marcada pelo tom frontal que lhe é característico, foi interpretada por sectores da direcção como um desafio directo à liderança instituída e aos estatutos da organização.
Nos bastidores, dirigentes admitem que as palavras de Muchanga aceleraram o conflito interno, tornando públicas divergências que vinham sendo discutidas de forma reservada.
RENAMO dividida entre continuidade e renovação
A troca de posições evidencia uma fragmentação crescente dentro da RENAMO, onde coexistem duas correntes principais:
- uma que defende a continuidade de Ossufo Momade, em nome da estabilidade institucional;
- outra que exige renovação imediata da liderança, argumentando desgaste político e perda de influência eleitoral.
Mais do que uma disputa de nomes, o conflito revela diferenças profundas sobre a estratégia política, o modelo de liderança e o rumo do partido num contexto pós-eleitoral marcado por contestação e desconfiança nas instituições.
Congresso como linha vermelha
Apesar das pressões, a direcção oficial mantém uma linha clara: qualquer mudança só poderá ocorrer em Congresso, conforme estabelecem os estatutos da RENAMO.
Para os actuais dirigentes, abrir exceções significaria legitimar soluções de força e comprometer a credibilidade interna e externa do partido, num momento em que a oposição procura reafirmar-se como alternativa política sólida.
Um partido em encruzilhada
A RENAMO enfrenta hoje um dos momentos mais delicados da sua história recente. A insistência na legalidade estatutária pode garantir coerência institucional, mas também corre o risco de aprofundar o afastamento de sectores críticos e da base militante.
A questão central permanece em aberto:
conseguirá a RENAMO resolver as suas divergências internamente sem se fragmentar ainda mais?
O desfecho desta crise poderá definir não apenas o futuro da liderança, mas o próprio papel do partido no xadrez político moçambicano.
E você, o que pensa sobre esta crise na RENAMO?
A defesa da legalidade fortalece o partido ou trava a sua renovação?
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