FMF confirma saída do selecionador após balanço da CAN 2025 e abre período de reflexão sobre o futuro técnico
A era de Chiquinho Conde à frente da seleção nacional de Moçambique chegou oficialmente ao fim. A confirmação foi feita esta quinta-feira pela Federação Moçambicana de Futebol (FMF), após uma reunião da direção executiva realizada em Maputo, dedicada à avaliação do desempenho dos Mambas na Taça das Nações Africanas (CAN) 2025.
A informação foi tornada pública por Gervásio de Jesus, vice-presidente da FMF, que esclareceu que o vínculo contratual com o técnico expirou e não foi renovado até ao momento. Segundo o dirigente, não houve demissão formal nem ruptura litigiosa, mas sim o cumprimento dos termos previamente acordados entre as partes.
“A direção executiva limitou-se a informar o selecionador sobre a caducidade do contrato de trabalho. A partir daí, cada parte fica livre para tomar as suas decisões”, afirmou Gervásio de Jesus à imprensa.
FMF trava decisões imediatas e evita pressões externas
Perfil do próximo selecionador ainda está em análise
Sem compromissos competitivos imediatos no calendário internacional, a FMF optou por não acelerar a escolha do próximo treinador. A direção quer usar este intervalo para definir, com frieza, o perfil ideal do futuro líder técnico da seleção moçambicana.
De acordo com Gervásio de Jesus, não está descartada qualquer hipótese — incluindo um eventual regresso do próprio Chiquinho Conde — mas, para já, não existe decisão tomada.
“Estamos a refletir sobre o perfil real do selecionador que queremos para a nossa seleção. Isso exige ponderação e responsabilidade”, sublinhou o vice-presidente federativo.
Um ciclo que deixa marcas na história do futebol moçambicano
Resultados, feitos inéditos e crescimento competitivo
Chiquinho Conde assumiu o comando dos Mambas em outubro de 2021, sucedendo ao português Horácio Gonçalves, num contexto de grande expectativa e pressão por resultados.
Durante o seu consulado, Moçambique alcançou dois apuramentos consecutivos para a CAN, um feito raro no historial da seleção. O ponto mais alto foi registado na CAN 2025, onde os Mambas ultrapassaram, pela primeira vez, a fase de grupos da competição continental, sendo eliminados apenas nos oitavos de final pela Nigéria, uma das potências do futebol africano.
Na qualificação para o Mundial 2026, Moçambique manteve-se na corrida até às últimas jornadas, terminando no terceiro lugar do Grupo G, atrás de Argélia e Uganda, mas deixando sinais claros de evolução competitiva.
Balanço interno vai além dos resultados desportivos
A reunião da FMF não se limitou à análise técnica da CAN. Foram também discutidos temas estruturais, como o estado das infraestruturas desportivas, a preparação para as competições da COSAFA e os desafios logísticos que continuam a condicionar o futebol nacional.
Internamente, há consenso de que o próximo selecionador terá de lidar não apenas com questões táticas, mas também com limitações estruturais, gestão de talentos locais e integração eficaz da diáspora moçambicana.
Conclusão: fim de ciclo ou pausa estratégica?
A saída de Chiquinho Conde encerra um capítulo importante da história recente dos Mambas. Os números mostram progresso, os resultados trouxeram esperança, mas a decisão da FMF indica que o futuro passa agora por uma reavaliação estratégica profunda.
Resta saber se este fim de ciclo abrirá espaço para um novo projecto técnico ou se Moçambique optará por consolidar o caminho já iniciado.
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