Ofensiva sem rodeios mira Alfândegas, Migração e Polícia e coloca empresários e cidadãos no centro da denúncia
O governador da província de Nampula, Eduardo Abdula, decidiu passar das palavras aos actos e declarou uma ofensiva directa contra redes de corrupção instaladas no Aeroporto Internacional de Nacala. O alvo é claro: práticas ilícitas em sectores-chave como Alfândegas, Migração, Polícia, Agricultura e Saúde, apontadas há anos como travões ao turismo, ao investimento e à credibilidade do Estado.
Durante um encontro com empresários e responsáveis aduaneiros, Abdula foi frontal. Disse estar farto de discursos vazios e exigiu resultados imediatos, sobretudo num momento em que Nacala tenta afirmar-se como porta aérea estratégica da região norte, com a nova rota Nacala–Joanesburgo–Nacala, operada pela companhia sul-africana Airlink.
“Estou cansado de blá-blá-blá. Não vamos tolerar corrupção. Esta guerra começa agora”, afirmou, sem rodeios.
Corrupção como ameaça directa ao desenvolvimento
Para o governador, a corrupção no aeroporto não é um problema abstrato nem apenas moral. É um risco económico concreto. Extorsões, atrasos forçados e cobranças ilegais encarecem operações, afastam investidores e comprometem a confiança de operadores internacionais.
Abdula deixou claro que o crescimento da província depende de um ambiente funcional, onde o sector privado possa operar sem ser sangrado por esquemas informais e onde o Estado arrecade impostos de forma transparente e legal.
Denúncias abertas, a qualquer hora
Num gesto pouco comum na administração pública, o governador fez um apelo directo à sociedade:
“Qualquer sintoma de corrupção que esteja a travar o desenvolvimento desta província, enviem-me mensagem. Mesmo à meia-noite.”
A mensagem é simples: silêncio é cumplicidade. Empresários, trabalhadores aeroportuários e cidadãos são chamados a denunciar, sem medo, práticas que prejudiquem Nacala e a província de Nampula como um todo.
A rota da Airlink e o jogo maior de Nacala
A ligação directa com Joanesburgo é vista pelo Governo Provincial como uma peça-chave para transformar Nacala num hub logístico e económico da África Austral. A infra-estrutura aeroportuária existe, tem capacidade técnica e localização estratégica. O que faltava, segundo Abdula, era limpar o sistema por dentro.
Eliminar a corrupção nos serviços aeroportuários pode reduzir custos logísticos, acelerar processos e tornar as empresas locais mais competitivas — num país onde burocracia e informalidade ainda pesam demasiado.
Estado firme, sector privado responsável
O governador reconhece que o combate à corrupção não se faz apenas com ordens administrativas. Exige fiscalização rigorosa, mas também compromisso ético do sector privado, que muitas vezes alimenta o sistema para “desenrascar”.
Sem essa dupla responsabilidade, a rota da Airlink corre o risco de fracassar — não por falta de passageiros, mas por excesso de ganância e impunidade.
promessa forte, teste decisivo
Eduardo Abdula fez uma promessa pública e colocou o seu capital político em jogo. Agora, a pergunta é simples e incômoda: a ofensiva vai atingir nomes e esquemas reais ou ficará pelos avisos?
Nacala tem tudo para crescer. O que não pode continuar é a sabotagem interna.
E você, acredita que esta “guerra à corrupção” vai mesmo produzir resultados ou será mais um anúncio sem consequências?
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- Eduardo Abdula combate à corrupção em Nampula