Fim-de-semana vira dia útil e nova máquina dobra produção, numa resposta à pressão de milhares de condutores à espera do documento
O Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários (INATRO) decidiu apertar o ritmo para resolver um dos problemas mais sensíveis dos serviços públicos ligados à mobilidade em Moçambique: o atraso crónico na emissão das cartas de condução. A instituição anunciou um conjunto de medidas extraordinárias que visam reduzir drasticamente o número de processos pendentes e normalizar as entregas até Março de 2026.
A decisão surge num contexto de forte pressão social, marcada por queixas recorrentes de cidadãos que aguardam há meses — e, em alguns casos, mais de um ano — pelo documento definitivo.
Produção reforçada para enfrentar um atraso de 35 mil pedidos
De acordo com informações oficiais, o INATRO está a lidar com um acumulado estimado em cerca de 35 mil cartas de condução em atraso a nível nacional. Para responder a este volume, a instituição passou a operar também aos fins-de-semana, numa medida temporária que estará em vigor até 10 de Março.
O objectivo é simples e directo: acelerar o processo de produção e reduzir o tempo de espera dos utentes.
“Estamos a criar condições para que o prazo de entrega não ultrapasse três meses após a emissão da carta provisória”, assegura o INATRO.
Nova máquina duplica capacidade diária de impressão
Outro ponto central do plano de emergência é a entrada em funcionamento de uma nova máquina de impressão, que permite duplicar a capacidade diária de produção.
- Antes: cerca de 750 cartas por dia
- Agora: aproximadamente 1.500 cartas de condução diárias
Este reforço técnico é visto internamente como decisivo para destravar o gargalo que se formou nos últimos meses, resultado de limitações operacionais, aumento da procura e falhas acumuladas no sistema.
Cartas já prontas, mas ainda não levantadas
O INATRO chama ainda a atenção para um problema menos falado, mas igualmente relevante: existem cartas de condução já emitidas que continuam por levantar.
As Delegações Provinciais estão a actualizar as listas dos documentos disponíveis e apelam aos cidadãos para consultarem essas informações e procederem ao levantamento.
Em termos práticos, parte do atraso não está apenas na produção, mas também na falta de comparência dos próprios utentes.
Impacto esperado noutros serviços rodoviários
Segundo a instituição, o esforço agora em curso deverá reflectir-se também na melhoria de outros serviços essenciais, nomeadamente:
- Marcação e realização de exames teóricos e práticos de condução
- Registo e emissão de livretes de veículos automóveis e reboques
- Redução da pressão administrativa nas delegações provinciais
Trata-se, nas palavras do INATRO, de uma intervenção com impacto sistémico, e não apenas pontual.
Um problema antigo num sector sensível
O atraso na emissão de cartas de condução não é novo em Moçambique. Ao longo dos anos, o problema tem sido associado a falta de equipamentos, centralização excessiva, processos burocráticos lentos e, em alguns casos, suspeitas de má gestão.
A actual intervenção levanta, por isso, uma questão central:
será este um plano de curto prazo ou o início de uma reforma estrutural no INATRO?
promessa feita, relógio a contar
Com produção reforçada, turnos prolongados e nova tecnologia em funcionamento, o INATRO coloca agora a fasquia alta ao prometer a normalização das entregas até Março. A expectativa pública é igualmente alta — e a margem para falhar é mínima.
Resta saber se, desta vez, o discurso institucional vai coincidir com a realidade enfrentada pelos cidadãos nos balcões.
E você, já espera pela sua carta de condução há meses? Acredita que estas medidas vão resolver o problema ou são apenas paliativos?
Deixe a sua opinião nos comentários e partilhe este artigo.