sábado, fevereiro 14, 2026
HomeNEWS IN PORTUGUESEInternet mais cara, dados que evaporam e silêncio oficial: o desgaste digital...

Internet mais cara, dados que evaporam e silêncio oficial: o desgaste digital que revolta Moçambique

Consumidores acusam operadoras e regulador de falta de transparência enquanto custos disparam e megabytes desaparecem em minutos

Moçambique vive, nas últimas semanas, uma tensão crescente no sector das telecomunicações. O que antes era um gasto mensal controlável transformou-se, de forma abrupta, num peso difícil de sustentar para famílias, estudantes, pequenos negócios e criadores de conteúdo. Há cidadãos que relatam ter passado de mil meticais por mês para mais de três mil meticais em internet, sem qualquer explicação pública clara.

O problema não é apenas o preço. É a sensação generalizada de que os dados móveis estão a desaparecer a uma velocidade anormal, muitas vezes em poucos minutos, mesmo quando o utilizador garante não estar a consumir conteúdos pesados ou sequer com os dados activados.

Um consumo que já não faz sentido

Pacotes anunciados como 4 GB válidos por uma semana estariam, segundo múltiplos relatos, a esgotar-se em dez minutos — ou menos. Em alguns casos, o saldo de dados desaparece antes mesmo de o telemóvel estabelecer ligação efectiva à internet.

Este padrão, repetido em diferentes operadoras, levantou suspeitas sérias entre os consumidores, que exigem respostas do Instituto Nacional das Comunicações de Moçambique (INCM), da Vodacom, da Movitel e dos decisores do sector.

Não se trata de uma reclamação isolada. As redes sociais estão inundadas de queixas, capturas de ecrã, vídeos e testemunhos que apontam para um problema estrutural e não para casos pontuais.

Silêncio que agrava a crise

Até agora, nenhuma das entidades visadas veio a público explicar, de forma detalhada e verificável, o que mudou de um dia para o outro. Não houve comunicados técnicos, relatórios de auditoria, nem esclarecimentos pedagógicos ao consumidor.

A justificação genérica da “modernização tecnológica” já não convence. Modernizar não pode significar cobrar mais e entregar menos, sobretudo sem aviso prévio e sem consentimento informado dos utilizadores. Sem dados concretos, essa narrativa começa a ser vista como uma cortina de fumo.

Para muitos consumidores, a situação já ultrapassa o campo da má prestação de serviços e entra no terreno da violação dos direitos do consumidor, com contornos que alguns classificam abertamente como roubo.

Internet: luxo ou direito básico?

Há muito que a internet deixou de ser um simples serviço complementar. Hoje, é ferramenta de trabalho, educação, acesso à informação, participação cívica e sobrevivência económica. Em vários países, o acesso à internet é tratado como direito essencial e, em certos contextos, disponibilizado gratuitamente ou a preços simbólicos.

Em Moçambique, o discurso oficial aponta para a massificação do acesso, inclusive nas zonas rurais. No terreno, porém, o que se observa é o contrário: custos crescentes, opacidade na tarifação e um consumo inexplicável de dados que está a corroer a confiança do público.

Impacto directo na economia real

Empreendedores digitais, pequenas empresas, jornalistas, estudantes e trabalhadores independentes estão entre os mais afectados. Muitos dependem exclusivamente da internet móvel para operar. Com os custos actuais, vários projectos tornam-se inviáveis.

Este desgaste já começa a transbordar para o espaço físico. Há registo de protestos simbólicos em frente a lojas de operadoras, com cartazes exigindo explicações. O clima é de frustração acumulada — e a história recente do país mostra que o silêncio institucional, nestes contextos, costuma ter consequências.

O que precisa ser explicado — com urgência

A sociedade espera respostas objectivas:

  • Houve alteração nos sistemas de tarifação ou contagem de dados?
  • Que investimentos recentes justificam o aumento efectivo dos custos para o consumidor?
  • Existem auditorias independentes sobre a medição do consumo de dados?
  • Por que razão os utilizadores não foram informados previamente sobre mudanças tão significativas?

Sem estas respostas, o descrédito recai não só sobre as empresas, mas também sobre o regulador e o próprio Estado, que tem a responsabilidade de proteger o interesse público.

Conclusão: ignorar não vai resolver

O actual cenário é insustentável. Os bolsos estão a sangrar, a paciência está no limite e a confiança está quebrada. Ignorar o problema não o fará desaparecer. Pelo contrário, aumenta o risco de instabilidade social e de um conflito aberto entre consumidores, empresas e instituições.

A pergunta que fica é simples e directa: até quando o cidadão moçambicano terá de pagar mais por um serviço cada vez pior, sem direito a explicações claras?

O que você pensa sobre isso?
A sua internet também está a acabar mais rápido? Partilhe a sua experiência, comente e ajude a ampliar este debate.

 

RELATED ARTICLES

Most Popular

Recent Comments