sábado, fevereiro 14, 2026
HomeNEWS IN PORTUGUESELuísa Diogo morre aos 67 anos em Portugal e deixa legado incontornável...

Luísa Diogo morre aos 67 anos em Portugal e deixa legado incontornável na história política e económica de Moçambique

Primeira mulher a chefiar o Governo moçambicano, economista respeitada e referência continental, Luísa Diogo marcou gerações dentro e fora do país

A antiga Primeira-Ministra de Moçambique, Luísa Dias Diogo, faleceu aos 67 anos de idade, em Portugal, vítima de doença prolongada. A morte ocorreu no Centro Clínico Champalimaud, em Lisboa, onde se encontrava em tratamento médico há vários meses. A notícia provocou comoção nacional e internacional, reacendendo o debate sobre o seu papel histórico e o impacto duradouro do seu percurso político, económico e institucional.

Natural da província de Tete, Luísa Diogo foi uma das figuras mais influentes do Estado moçambicano no período pós-independência. Tornou-se a primeira mulher a ocupar os cargos de Ministra do Plano e Finanças e, mais tarde, Primeira-Ministra de Moçambique, quebrando barreiras num contexto político tradicionalmente dominado por homens.

Uma carreira construída da base ao topo do Estado

Quadro sénior da FRELIMO, Luísa Diogo destacou-se cedo pela sua sólida formação económica e visão estratégica. Enquanto Ministra do Plano e Finanças, liderou momentos decisivos da política macroeconómica do país, num período marcado por reformas estruturais, negociações com parceiros internacionais e desafios profundos de desenvolvimento.

Já como Primeira-Ministra, consolidou-se como uma governante firme, tecnicamente preparada e politicamente assertiva, conhecida por não abdicar das suas convicções. Era vista como uma mulher dona de si, com sentido de Estado e forte patriotismo, defendendo com clareza aquilo que considerava essencial para a soberania e estabilidade de Moçambique.

Do Governo ao setor financeiro

Após a vida governativa, Luísa Diogo manteve influência no setor económico. Nos últimos anos, esteve ligada ao ABSA Bank Moçambique, onde exerceu funções de Presidente do Conselho de Administração (PCA). A sua liderança no setor financeiro foi amplamente reconhecida, reforçando a sua imagem como uma das economistas mais respeitadas do país.

Esse percurso valeu-lhe distinções internacionais de relevo. Luísa Diogo foi apontada pela revista Forbes como uma das mulheres mais influentes do mundo, e incluída pela Time Magazine na lista das 100 personalidades mais influentes a nível global. Os reconhecimentos resultaram não apenas do seu desempenho técnico, mas também do seu empenho contínuo na promoção da igualdade de género e no fortalecimento da liderança feminina em África.

Reações e luto nacional

A morte de Luísa Diogo gerou reações de várias personalidades políticas, académicas e sociais, dentro e fora de Moçambique. As mensagens convergem num ponto comum: o país perdeu uma voz forte, uma referência ética e uma mulher que ajudou a moldar o Estado moçambicano moderno.

Para muitos, o desaparecimento ocorre num momento em que o país ainda precisava do seu contributo intelectual e institucional. “Perdemos uma grande mulher, uma economista de mão cheia, que começou da base e chegou ao topo”, sublinharam várias vozes, destacando o seu percurso inspirador para as gerações vindouras.

Um legado que ultrapassa cargos e títulos

Luísa Diogo deixa obras, ideias, uma marca profunda na governação e uma família enlutada. Foi mais do que a primeira mulher Primeira-Ministra: foi símbolo de competência, resiliência e afirmação feminina num Estado jovem e em construção.

Moçambique está de luto. Mas fica o legado de uma mulher que saiu de Tete para o mundo, enfrentou desafios estruturais e ajudou a escrever capítulos decisivos da história nacional.

Como país, saberemos preservar e honrar o que Luísa Diogo deixou?

O que você pensa sobre o legado de Luísa Diogo? Deixe a sua opinião nos comentários e partilhe este artigo.

 

RELATED ARTICLES

Most Popular

Recent Comments