domingo, fevereiro 15, 2026
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Lula e Putin alinham encontro estratégico em Brasília e reforçam discurso sobre a Venezuela

Telefonema entre os presidentes expõe convergência política, agenda bilateral robusta e reação conjunta às tensões na América Latina

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, voltaram a alinhar posições políticas e estratégicas numa conversa telefónica realizada esta quarta-feira (14). O diálogo foi além da situação explosiva na Venezuela e serviu para acertar os últimos detalhes da 8ª Comissão Bilateral de Alto Nível Brasil–Rússia, marcada para 5 de fevereiro, em Brasília.

O encontro, conhecido como CAN, será presidido pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e pelo primeiro-ministro russo Mikhail Mishustin, e deve marcar uma nova fase na relação entre os dois países, com foco em áreas sensíveis da agenda internacional.

Encontro em Brasília mira áreas-chave da cooperação

Segundo informação oficial do Palácio do Planalto, Lula e Putin concordaram que a reunião bilateral será uma oportunidade concreta para dinamizar sectores considerados prioritários, como:

  • Comércio e investimentos
  • Agricultura
  • Defesa
  • Energia
  • Ciência e tecnologia
  • Educação e cultura

O Kremlin confirmou que Putin enviará uma delegação de alto nível a Brasília, sinal claro de que Moscovo pretende manter o Brasil como parceiro estratégico num contexto global cada vez mais polarizado.

Esse movimento ocorre num momento em que o Brasil busca reforçar sua política externa multivetorial, mantendo diálogo tanto com potências ocidentais quanto com países do eixo Rússia–China.

Venezuela no centro da conversa

A situação venezuelana ocupou parte central do telefonema. De acordo com o Kremlin, os dois presidentes reafirmaram posições comuns em defesa da soberania estatal e dos interesses nacionais da República Bolivariana da Venezuela.

Já o Planalto destacou a preocupação com o agravamento das tensões e reiterou a necessidade de preservar a América do Sul e o Caribe como zonas de paz, um princípio histórico da diplomacia brasileira.

Coordenação no âmbito da ONU e do BRICS

Lula e Putin também concordaram em aprofundar a coordenação diplomática em fóruns multilaterais, com destaque para a ONU e o BRICS, bloco que vem ganhando peso político e económico frente às estruturas tradicionais de poder global.

A leitura, nos bastidores, é clara: Brasil e Rússia tentam atuar como contrapeso ao unilateralismo, defendendo soluções negociadas e respeito às fronteiras nacionais.

Contexto internacional agrava tensão

O contacto entre os dois líderes ocorre num ambiente internacional marcado por forte instabilidade, especialmente após a operação conduzida pelos Estados Unidos em território venezuelano, que culminou na captura de Nicolás Maduro.

O governo brasileiro reagiu de forma dura. Lula classificou a ação norte-americana como uma “afronta gravíssima” e acusou Washington de ultrapassar uma “linha inaceitável”, reforçando o discurso de defesa do direito internacional e da autodeterminação dos povos.

Mais do que diplomacia, sinal político

O telefonema entre Lula e Putin não foi apenas protocolar. Ele envia um recado direto à comunidade internacional: Brasil e Rússia seguem alinhados em temas sensíveis, apostando no diálogo político, na cooperação económica e na rejeição a intervenções externas.

Num mundo em reconfiguração, a aproximação entre Brasília e Moscovo revela uma diplomacia brasileira mais assertiva, menos submissa e disposta a ocupar espaço no tabuleiro global.

O que você pensa sobre essa aproximação entre Brasil e Rússia em meio às tensões na Venezuela? Deixe sua opinião nos comentários e participe do debate.

 

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