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Manuel Chang pode ser libertado nos EUA e regressar a Moçambique em 2026, apurou a imprensa

Após quase seis anos detido e um processo que expôs as entranhas do escândalo das dívidas ocultas, o antigo ministro das Finanças aproxima-se da liberdade — e levanta novas interrogações sobre justiça e responsabilidade em Moçambique.

 

Manuel Chang perto da liberdade após anos no epicentro das dívidas ocultas

O antigo ministro das Finanças de Moçambique, Manuel Chang, poderá ser libertado já na próxima semana pelas autoridades judiciais dos Estados Unidos, encerrando um dos capítulos mais longos e controversos do escândalo das dívidas ocultas. A informação é avançada pelo CanalMoz, que cita uma fonte ligada ao escritório de advogados de Chang em Nova Iorque.

Segundo a mesma fonte, a libertação deverá ocorrer antes de 29 de Dezembro, data em que Chang completaria mais um ano em detenção. Logo depois, será iniciado o processo formal de deportação, com previsão de regresso a Moçambique no início de 2026.

Um caso que atravessou continentes e sistemas judiciais

A eventual libertação de Manuel Chang marca o desfecho provisório de um processo que se arrasta desde 2018, quando o ex-governante foi detido na África do Sul, a pedido das autoridades norte-americanas.

Durante anos, o caso esteve no centro de uma disputa jurídica internacional envolvendo três Estados — Moçambique, Estados Unidos e África do Sul — todos interessados na extradição do antigo ministro. No fim, prevaleceu a posição de Washington.

Chang foi extraditado para os Estados Unidos em 2023, onde respondeu em tribunal por alegada participação no esquema financeiro que originou mais de 2 mil milhões de dólares em dívida ilegal, contraída à margem do Parlamento e à revelia dos moçambicanos.

Julgamento nos EUA e impacto internacional

O processo judicial em solo norte-americano transformou-se num dos casos de corrupção africana mais mediáticos da última década. Documentos, testemunhos e investigações expuseram como bancos internacionais, empresas de fachada e decisores políticos estiveram envolvidos num esquema que deixou Moçambique à beira do colapso financeiro.

Embora várias figuras tenham sido julgadas noutros países, o nome de Manuel Chang tornou-se símbolo do papel do Estado moçambicano no escândalo que comprometeu gerações e destruiu confiança internacional.

Silêncio oficial em Maputo

Até ao momento, as autoridades moçambicanas não se pronunciaram sobre a possível libertação nem sobre o regresso iminente do ex-ministro ao país. Não há informação pública sobre eventuais processos pendentes, medidas judiciais ou enquadramento legal que Chang poderá enfrentar em território nacional.

O silêncio levanta dúvidas legítimas:

Estará Moçambique preparado para lidar, de forma transparente, com o regresso de uma das figuras centrais das dívidas ocultas?

O que muda com o regresso de Manuel Chang?

A libertação de Chang não apaga o impacto do escândalo nem responde às perguntas que continuam sem resposta:

  • Quem decidiu, de facto, contrair as dívidas?
  • Quem beneficiou politicamente e financeiramente?
  • Porque continuam impunes várias figuras-chave?

O eventual regresso de Manuel Chang pode reacender o debate público sobre justiça, responsabilização e memória política num país ainda a pagar a factura de decisões tomadas em segredo.

A libertação de Manuel Chang fecha um ciclo nos tribunais estrangeiros, mas não fecha a história das dívidas ocultas em Moçambique. Pelo contrário, pode abrir um novo capítulo — mais próximo, mais incómodo e politicamente sensível.

A grande questão permanece:
haverá consequências reais dentro do país ou tudo terminará no esquecimento institucional?

O que pensa sobre este possível regresso? A justiça foi feita ou ficou a meio do caminho? Deixe a sua opinião nos comentários e partilhe este artigo.

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