sábado, fevereiro 14, 2026
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Matola volta a ser palco de execução: agente do SERNIC morto a tiro em frente à família

Crime em Fomento reacende temor de “esquadrões da morte” e expõe vulnerabilidade de agentes da Lei e Ordem em Moçambique

O ano de 2026 começou com sangue e medo na cintura metropolitana de Maputo. Um agente do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) foi brutalmente assassinado na tarde de sábado (3), no bairro de Fomento, município da Matola, num ataque que volta a levantar suspeitas sobre a actuação de alegados “esquadrões da morte” contra membros das forças de segurança.

A vítima foi identificada como João Paulo da Silva Gomes, conhecido simplesmente por João Paulo, agente afecto à Direcção de Investigação de Crimes Organizados (DIO) e recentemente indicado para integrar a brigada anti-corrupção.

Ataque rápido, cirúrgico e à vista de todos

Segundo relatos recolhidos no local, João Paulo encontrava-se num convívio informal com familiares e amigos quando foi surpreendido por homens armados, encapuçados, que circulavam numa viatura Toyota Mark X, de cor preta. Sem qualquer diálogo, os atacantes abriram fogo à queima-roupa, atingindo mortalmente o agente com vários disparos. A acção foi rápida, precisa e executada em plena luz do dia, um padrão que tem sido associado a execuções premeditadas.Moradores descrevem momentos de pânico, gritos e correria, seguidos de um silêncio pesado que se instalou no bairro minutos depois do ataque.

Um agente respeitado dentro e fora da corporação

Fontes locais descrevem João Paulo como um profissional discreto, acessível e respeitado pela vizinhança. Para além da sua actuação no SERNIC, era visto como alguém de trato simples, distante de ostentação, o que torna o crime ainda mais chocante para a comunidade.

“Era um homem humilde, não se escondia atrás da farda. Cumprimentava todos”, relatou um residente de Fomento, visivelmente abalado.

Primeiro assassinato do género em 2026, mas não um caso isolado

Este é o primeiro homicídio de um agente da Lei e Ordem registado em Maputo em 2026, mas surge na sequência de uma onda alarmante ocorrida em 2025, marcada por assassinatos selectivos de agentes de diferentes patentes, em circunstâncias semelhantes.Especialistas em segurança alertam que o padrão — execuções públicas, viaturas sem identificação, fuga rápida e ausência de detenções — alimenta a narrativa da existência de grupos organizados com acesso a informação sensível.

Silêncio oficial e perguntas sem resposta

Até ao momento, não há pronunciamento público detalhado das autoridades sobre suspeitos, motivações ou linhas concretas de investigação. O caso reacende críticas recorrentes sobre a fragilidade na protecção dos próprios agentes do Estado e a lentidão na apresentação de resultados investigativos em crimes desta natureza.A morte de João Paulo ocorre num contexto sensível, em que o combate à corrupção e ao crime organizado expõe agentes a riscos crescentes — muitas vezes sem garantias reais de segurança.

Um crime que deixa mais do que uma vítima

Para além da perda irreparável para a família, o assassinato de João Paulo deixa um sinal claro: há medo dentro das próprias forças de segurança. Quando um agente do SERNIC é morto em frente a testemunhas, em plena área urbana, a mensagem ultrapassa o crime individual e atinge o próprio Estado.A pergunta que ecoa em Fomento, na Matola e em todo o país é simples, directa e incómoda: quem protege aqueles que são pagos para proteger a sociedade?

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