segunda-feira, fevereiro 16, 2026
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Mondlane acusa Chapo de esbanjar milhões em viagens enquanto o país afunda em dificuldades

Líder da ANAMOLA diz que mais de 13 milhões de dólares foram gastos em deslocações externas sem resultados concretos para Moçambique

O debate sobre a gestão do Estado voltou a ganhar força esta semana em Maputo. O líder do partido ANAMOLA, Venâncio Mondlane, lançou duras críticas ao Presidente da República, Daniel Chapo, acusando-o de ter gasto mais de 13 milhões de dólares em viagens internacionais apenas no primeiro ano do seu mandato.

A denúncia foi feita durante uma conferência de imprensa em que Mondlane abordou vários dossiês sociopolíticos e económicos, com foco especial nas prioridades do Governo num contexto marcado por crise financeira, pressão social e ausência de consensos estratégicos.

“27 viagens presidenciais” sob escrutínio público

Segundo Mondlane, os números apresentados resultam de um levantamento detalhado das chamadas “27 viagens presidenciais”, realizadas ao longo de 2025. O cálculo, explicou, não se limita a bilhetes e estadias, mas inclui também o custo elevado do fretamento de aeronaves, uma prática que considera injustificável.

“Não estamos a falar apenas de deslocações protocolares. Estamos a falar de milhões de dólares gastos em aviões fretados, num país onde faltam medicamentos, salários e serviços básicos”, afirmou.

Para o dirigente da ANAMOLA, o Chefe de Estado deveria ter optado por voos comerciais, como sinal de contenção e respeito pelos cofres públicos.

Resultados inexistentes e promessas vazias

O ponto mais sensível das críticas prende-se com os resultados das deslocações. Mondlane sustenta que as viagens não produziram ganhos concretos para o país, nem acordos estruturantes em execução.

Entre os exemplos citados está a ausência de um novo acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), considerado crucial para a credibilidade externa e estabilidade macroeconómica de Moçambique.

“São apenas promessas e fotografias. Não há investimentos visíveis, não há programas em curso, não há impacto real na vida dos moçambicanos”, acusou.

Dinheiro que podia pagar salários

Mondlane foi ainda mais longe ao comparar os custos das viagens com a realidade dos funcionários públicos. Segundo os seus cálculos, os mais de 13 milhões de dólares gastos seriam suficientes para pagar salários a cerca de 100 mil funcionários públicos que recebem o salário mínimo.

A afirmação reacendeu o debate sobre prioridades governativas, sobretudo num momento em que professores, profissionais de saúde e outros servidores do Estado continuam a reclamar atrasos e baixos rendimentos.

Promessa de poupança que ficou no discurso

Outro ponto levantado pelo líder da ANAMOLA foi a promessa feita por Daniel Chapo no início do mandato: uma poupança anual estimada em 17 mil milhões de meticais. Para Mondlane, passados doze meses, não há sinais de que esse compromisso tenha sido cumprido.

“O discurso foi bonito, mas a prática mostra o contrário. A despesa aumentou e a situação do país continua frágil”, afirmou.

“Gestão de guiché” e falta de visão de Estado

Na avaliação política de Mondlane, o problema vai além das viagens. O dirigente considera que o país continua sem uma visão estratégica clara, sendo governado de forma rotineira e sem inovação.

“É uma gestão de guiché: recebe-se o problema, carimba-se o papel e passa-se ao próximo. Não há liderança transformadora, apenas administração do dia-a-dia”, criticou.

Um debate que promete intensificar-se

As declarações de Venâncio Mondlane surgem num momento em que cresce a pressão sobre o Executivo, tanto da oposição como da sociedade civil, para maior transparência, contenção de despesas e resultados palpáveis.

Num país marcado por desafios económicos profundos, a polémica em torno dos gastos presidenciais promete continuar a alimentar o debate público.

Afinal, até que ponto o Estado pode justificar despesas milionárias em viagens externas quando a maioria da população luta para sobreviver?

E você, o que pensa sobre este tema?
As viagens presidenciais são um investimento necessário ou um luxo injustificável? Deixe a sua opinião nos comentários e partilhe este artigo.

 

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