Figura central da economia nacional, ex-Primeira-Ministra faleceu em Lisboa após doença prolongada
A antiga Primeira-Ministra de Moçambique, Luísa Diogo, morreu esta terça-feira, em Lisboa, vítima de doença. O óbito ocorreu no Centro Clínico Champalimaud, instituição ligada à Fundação Champalimaud, onde vinha a receber tratamento médico regular nos últimos tempos.
Luísa Diogo tinha 66 anos e deixa um legado incontornável na história política, económica e institucional de Moçambique.
Uma trajetória marcada por decisões económicas difíceis
Economista de formação, Luísa Diogo ganhou projeção nacional no final da década de 1990, num período particularmente sensível para as finanças públicas do país. Entre 1999 e 2005, ocupou o cargo de ministra do Plano e Finanças, assumindo um papel central na gestão macroeconómica, na negociação com parceiros internacionais e na implementação de reformas estruturais exigidas no pós-guerra.
O seu nome passou a estar associado a dossiers complexos, como a consolidação orçamental, a reestruturação da dívida e o reposicionamento de Moçambique junto das instituições financeiras multilaterais.
Primeira mulher a liderar o Governo
Em Fevereiro de 2004, com a exoneração de Pascoal Mocumbi, Luísa Diogo foi nomeada Primeira-Ministra, acumulando inicialmente o cargo com a pasta das Finanças, ainda sob a liderança do então Presidente Joaquim Chissano.
Após as eleições gerais de 2004, manteve-se no cargo de Primeira-Ministra no primeiro Governo de Armando Guebuza, tornando-se a primeira mulher a chefiar o Executivo moçambicano — um marco histórico num sistema político tradicionalmente dominado por figuras masculinas.
Da política ao setor financeiro
Depois de deixar o Governo, Luísa Diogo transitou para o setor financeiro, onde voltou a ganhar destaque. Durante 13 anos, liderou o Absa Bank Moçambique, exercendo o cargo de Presidente do Conselho de Administração (PCA), posição que deixou em julho de 2024.
Mesmo após a saída da liderança do banco no país, manteve influência no setor, permanecendo como administradora não-executiva do Grupo Absa na África do Sul, função que desempenhava desde agosto de 2023.
Reações e legado
A morte de Luísa Diogo abre espaço para uma reflexão profunda sobre o papel das mulheres na liderança política em Moçambique e sobre uma geração de dirigentes que marcou a transição económica do país no pós-independência.
Respeitada por uns, criticada por outros, Luísa Diogo foi, acima de tudo, uma decisora em tempos difíceis, deixando uma marca duradoura na governação e no sistema financeiro nacional.
A história vai julgá-la pelos resultados, pelas opções tomadas e pelo simbolismo que carregou.
Quem ocupará, no futuro, um espaço de liderança com o mesmo peso histórico e responsabilidade?
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