Revista britânica afirma que um novo mandato seria arriscado para o Brasil, critica políticas econômicas e diz que o país “merece escolhas melhores” em 2026
A revista The Economist publicou uma análise dura e pouco comum sobre o cenário político brasileiro: Lula não deveria disputar a reeleição. O argumento central é direto — idade avançada, economia sem ambição e ausência de renovação política. Para a publicação, insistir num quarto mandato pode comprometer não apenas o futuro do país, mas também o legado do próprio presidente.Com 80 anos, Lula chegaria ao fim de um eventual novo mandato aos 85, algo que a revista classifica como um risco desnecessário para uma democracia que ainda busca estabilidade institucional.
“Carisma não protege contra declínio cognitivo”, resume o texto, sem rodeios.
Idade no centro do debate político
A Economist faz uma comparação inevitável: Joe Biden, que tentou a reeleição nos Estados Unidos aos 81 anos e acabou simbolizando os limites físicos e políticos da permanência prolongada no poder.Embora reconheça que Lula aparenta estar em melhores condições do que Biden estava, a revista lembra um ponto sensível: em dezembro de 2024, o presidente brasileiro passou por uma cirurgia cerebral após um acidente doméstico. Para os analistas, isso reforça a preocupação.
A mensagem é clara: governar um país do tamanho do Brasil exige mais do que experiência — exige vigor constante.
Economia cresce, mas sem ousadia
Outro ponto crítico do texto é a avaliação da política econômica. A Economist reconhece que o Brasil cresceu acima do esperado nos últimos anos, mas atribui esse desempenho mais ao contexto externo do que a decisões estruturais do governo.Segundo a revista, o modelo adotado por Lula é limitado, excessivamente focado em transferência de renda, com aumento de impostos e pouca atenção à competitividade empresarial.
Há um reconhecimento pontual da reforma para simplificação tributária, mas isso não muda o diagnóstico geral:
A política econômica é descrita como “medíocre”, sem visão de longo prazo e incapaz de preparar o país para um novo ciclo de desenvolvimento.
Corrupção ainda pesa na memória coletiva
Mesmo após a anulação de condenações, a Economist aponta que escândalos de corrupção dos primeiros governos Lula continuam vivos na memória de milhões de brasileiros.
Para a revista, esse passado segue sendo um obstáculo político real, sobretudo num cenário em que a sociedade exige mais transparência e menos tolerância com velhas práticas.
O maior problema: Lula não preparou sucessor
Talvez a crítica mais estratégica seja esta: não há herdeiro político competitivo na centro-esquerda.
Fernando Haddad, ministro da Fazenda, é citado como um nome tecnicamente respeitado, mas politicamente fraco, visto como “intelectual demais” para vencer uma eleição nacional polarizada. Prefeitos jovens até surgem no radar, mas sem musculatura eleitoral.
A comparação com Biden volta à cena: lideranças envelhecidas que concentram poder e não abrem espaço para renovação.
Direita fragmentada, mas com um nome em ascensão
No campo conservador, a revista descreve Jair Bolsonaro como politicamente desacreditado, apesar de ainda influente entre evangélicos. Preso e condenado a 27 anos, ele tenta manter protagonismo ao lançar o filho Flávio Bolsonaro, descrito sem meias palavras como impopular e ineficaz.
O destaque real vai para Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo. Segundo a Economist:
- É mais competitivo que Flávio nas pesquisas
- Tem perfil técnico, institucional e menos radical
- Tem 50 anos, um contraste direto com Lula
A revista sugere que Bolsonaro pode, mais cedo ou mais tarde, transferir apoio a Tarcísio se perceber que o filho não decola.
Democracia precisa de alternativas reais
Para a Economist, o problema não é apenas Lula ou Bolsonaro — é a falta de opções viáveis. O Brasil, segundo o texto, precisa de uma eleição que vá além da repetição de personagens conhecidos.
“Uma figura de centro-direita que reduza a burocracia sem destruir florestas, combata o crime sem atacar liberdades civis e respeite o Estado de Direito poderia vencer e governar bem.”
A revista admite que é improvável que Lula abra mão da candidatura, mas afirma que isso seria o gesto mais nobre para preservar seu legado.
Conclusão: insistir pode custar caro
A análise da The Economist é dura porque toca num ponto sensível: lideranças históricas também precisam saber a hora de sair. Para a publicação, Lula já entrou para a história. Permanecer pode transformar prestígio em desgaste.
O Brasil sobreviveu a ataques à democracia. Agora, segundo a revista, merece mais do que escolhas por falta de alternativas.
A pergunta que fica é simples e incômoda:
o país está a escolher o melhor futuro possível — ou apenas o menos arriscado no curto prazo?
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