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“Três anos em centros de acolhimento é inaceitável”, critica Ossufo Momade durante visita a famílias afectadas pelas cheias

Líder da RENAMO cobra soluções definitivas para as inundações em Maputo e alerta para falhas estruturais na gestão de desastres em Moçambique

O presidente da RENAMO, Ossufo Momade, lançou duras críticas à permanência prolongada de famílias em centros de acolhimento, classificando a situação como inadmissível num Estado que se diz funcional. A posição foi expressa durante uma visita ao centro de Magoanine, na cidade de Maputo, onde algumas famílias vivem em condições precárias desde 2023, após sucessivos episódios de cheias.

“Não é aceitável que cidadãos passem mais de três anos em centros de acolhimento”, afirmou Momade, num tom visivelmente preocupado, diante de famílias que continuam sem uma solução definitiva de reassentamento

Solidariedade no terreno e crítica à resposta institucional

Durante o contacto directo com as populações afectadas, o líder da RENAMO manifestou solidariedade às vítimas das chuvas intensas que têm castigado o país, sobretudo na região sul. Momade sublinhou que, em contextos de calamidade, a união e a entreajuda entre moçambicanos tornam-se vitais, defendendo que pequenos gestos de apoio podem fazer grande diferença na vida de quem perdeu quase tudo.

Segundo o dirigente, o partido tem mantido uma acção humanitária contínua, iniciada logo nos primeiros dias das chuvas. As iniciativas contam com o envolvimento activo de militantes e activistas políticos em várias frentes, incluindo Maputo, Matola, Cabo Delgado, além do Secretariado-Geral da RENAMO.

Centros de acolhimento transformados em moradia permanente

Ossufo Momade alertou para um problema estrutural que se repete a cada época chuvosa: centros de acolhimento temporários que acabam por se tornar residências permanentes. Para o líder da oposição, esta realidade revela falhas profundas na planificação urbana e na gestão dos riscos associados a fenómenos naturais extremos.

No caso específico de Magoanine, há famílias que vivem no local há mais de três anos, sem perspectivas claras de reassentamento digno, o que levanta questões sérias sobre responsabilidade governativa e políticas públicas de habitação

Apelo directo ao Município de Maputo

Durante a visita, Momade dirigiu um recado claro ao Município de Maputo, instando as autoridades locais a repensarem as estratégias de prevenção e combate às inundações. Para o dirigente, o ciclo de cheias seguido de respostas emergenciais demonstra que o país continua refém de medidas paliativas, incapazes de resolver o problema na raiz.

A defesa passa, segundo Momade, por soluções estruturais e sustentáveis, que incluam drenagem eficaz, ordenamento territorial responsável e reassentamento planeado das populações em zonas de risco.

INGD sob escrutínio: neutralidade em causa

O líder da RENAMO aproveitou ainda a ocasião para deixar um alerta ao Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD). Momade apelou à responsabilidade, imparcialidade e neutralidade na distribuição de donativos e na condução das operações de salvamento.

Na sua visão, a ajuda humanitária não pode ser partidarizada, devendo servir exclusivamente os cidadãos afectados, independentemente da sua filiação política ou localização geográfica.

Ajuda humanitária e disputa política num contexto de crise climática

A visita de Ossufo Momade insere-se num contexto mais amplo de mobilização social e política em resposta às cheias que têm afectado várias regiões do país. Diferentes forças políticas e organizações da sociedade civil têm promovido acções de apoio humanitário, numa tentativa de mitigar o impacto das mudanças climáticas sobre populações vulneráveis.

Ainda assim, a permanência prolongada de famílias em centros de acolhimento continua a expor um debate sensível: até que ponto Moçambique está preparado para lidar, de forma estrutural, com eventos climáticos cada vez mais frequentes e severos?

Conclusão

A crítica de Ossufo Momade vai além da conjuntura das cheias. Ela toca no cerne de um problema recorrente: a normalização da emergência. Quando o provisório se torna permanente, falha o Estado, falha a governação e falha a promessa de dignidade aos cidadãos.

A pergunta que fica é direta e desconfortável: quantos anos mais serão necessários para que soluções definitivas substituam respostas improvisadas

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