Denúncia com contornos místicos aprofunda a crise interna e transforma antigos símbolos de campanha em armas políticas
A crise interna na RENAMO ganhou um novo e inesperado contorno após declarações públicas de Muchanga, que acusou o presidente do partido, Ossufo Momade, de recorrer a práticas místicas durante a campanha eleitoral. No centro da polémica estão as famosas vassouras exibidas nos comícios, até então interpretadas como símbolo político de “limpeza” e mudança.
Segundo Muchanga, os objectos carregados em plena campanha não eram simples adereços simbólicos, mas sim vassouras alegadamente tratadas por curandeiros, com o objectivo de influenciar resultados eleitorais por vias espirituais.
“Ossufo Momade fez-me carregar vassouras tratadas por curandeiros”, afirmou Muchanga, descrevendo o episódio como um dos “segredos” usados pelo líder da RENAMO para alcançar sucesso político.
Do símbolo político à acusação de superstição
Durante a campanha, as vassouras tornaram-se um dos ícones mais visíveis dos comícios de Ossufo Momade, associadas ao discurso de renovação interna e combate à corrupção. Agora, a denúncia altera radicalmente essa leitura pública.
O gesto político passa a ser reinterpretado como um acto com conotação mística, misturando política, crenças tradicionais e disputa interna pelo poder. Para analistas políticos, a acusação revela menos sobre práticas espirituais e mais sobre o nível de degradação do debate interno no maior partido da oposição.
Muchanga desafia Momade e pede a sua saída
A denúncia não ficou por aí. Muchanga avançou para um ataque frontal à liderança, desafiando Ossufo Momade a abandonar a presidência da RENAMO, alegando falta de “juízo” e incapacidade para conduzir o partido num momento crítico da sua história.
A posição coloca Muchanga de forma inequívoca no bloco interno que contesta a actual direcção, num contexto em que a autoridade de Momade é cada vez mais questionada por diferentes alas.
RENAMO dividida: estruturas paralelas e disputa pelo controlo
O episódio das “vassouras tratadas” surge num momento em que a RENAMO enfrenta uma fragmentação institucional profunda. Existem relatos consistentes de:
- Reuniões paralelas fora da direcção oficial
- Nomeações internas contestadas
- Estruturas de liderança concorrentes, sem reconhecimento mútuo
Internamente, Muchanga também é acusado por outros quadros do partido de liderar uma ala dissidente que tenta afastar Ossufo Momade, utilizando a denúncia como arma política numa guerra interna pelo controlo da organização.
Mais do que superstição: um retrato da crise estrutural
Independentemente da veracidade da acusação, o impacto político é inegável. O caso das vassouras funciona como um símbolo do estado actual da RENAMO: um partido dividido, enfraquecido e exposto publicamente por conflitos internos que deixaram de ser apenas ideológicos.
A crise já não se resume a divergências estratégicas ou eleitorais. Tornou-se simbólica, institucional e estrutural, colocando em causa a capacidade da RENAMO de se afirmar como alternativa política coesa num cenário nacional cada vez mais competitivo.
Entre acusações místicas, desafios públicos e disputas de legitimidade, a RENAMO vive um dos momentos mais delicados da sua história recente. O debate deixou de ser apenas político e passou a envolver narrativas de bastidores que fragilizam a imagem do partido junto do eleitorado.
A pergunta que se impõe é simples e incómoda: a RENAMO ainda consegue resolver as suas crises internamente ou entrou num ciclo irreversível de fragmentação pública?
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