sexta-feira, janeiro 2, 2026
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Venâncio Mondlane denuncia “engenharia cambial” do Banco de Moçambique e alerta para impacto direto no bolso dos cidadãos

Líder da ANAMOLA acusa o Banco Central de manter uma taxa de câmbio artificial, mascarar a inflação real e agravar a escassez de divisas no país

 

Escassez de divisas expõe fraturas da política monetária

A falta de moeda estrangeira voltou ao centro do debate económico em Moçambique após novas declarações públicas de Venâncio Mondlane, que acusa o Banco de Moçambique (BM) de manipular a taxa de câmbio e apresentar uma imagem irreal do custo de vida no país. As críticas foram feitas num vídeo divulgado nas redes sociais, onde o político desmonta, ponto por ponto, a narrativa oficial sobre a disponibilidade de divisas.

Segundo Mondlane, a escassez já não é apenas uma perceção: é um facto vivido diariamente por empresários, viajantes e operadores económicos, que enfrentam dificuldades crescentes para aceder ao dólar e a outras moedas fortes. O contraste com o discurso do governador do Banco Central, que atribui o problema a “práticas irregulares” dos bancos comerciais, é total.

“Não é um problema de má conduta bancária. É um problema estrutural de confiança e de política económica”, sustenta.

Uma economia a perder capacidade de gerar divisas

Insegurança e fuga de capitais

Para Venâncio Mondlane, a raiz da crise está na erosão da capacidade do país gerar divisas, num ambiente marcado por raptos, sequestros e extorsões contra empresários. Este clima, afirma, empurra investidores para fora do sistema formal e incentiva a fuga de capitais, reduzindo a entrada de moeda estrangeira na economia.

A isto soma-se, segundo o líder da ANAMOLA, uma gestão cambial que não reflete a realidade do mercado.

“Moçambique vive, na prática, com câmbio fixo”

Divergência entre taxa oficial e mercado paralelo

Mondlane acusa diretamente o Banco de Moçambique de operar com métodos herdados do período do partido único, mantendo uma taxa de câmbio artificialmente controlada. Oficialmente, o dólar ronda os 65 meticais. Fora dos canais formais, porém, a moeda norte-americana já é negociada entre 70 e 80 meticais, dependendo da procura.

“O valor real do dólar não é 65 meticais. Isso é um número administrativo, não económico”, afirma.

Esta diferença, longe de ser marginal, revela uma distorção profunda entre os indicadores oficiais e a economia real. Para o político, trata-se de uma estratégia deliberada para subestimar a inflação e suavizar estatísticas que não resistem à experiência quotidiana das famílias.

Inflação mascarada, custo de vida real

Quando os números não batem com a vida das pessoas

Ao manter um câmbio que não corresponde às forças do mercado, o Banco Central estaria, segundo Mondlane, a falsear o verdadeiro custo de vida. Produtos importados, combustíveis, medicamentos e insumos básicos encarecem no terreno, enquanto os dados oficiais insistem numa inflação “controlada”.

O resultado é um divórcio entre os relatórios técnicos e a realidade das prateleiras vazias, dos preços instáveis e do poder de compra em queda.

Liquidez travada e bancos pressionados

O efeito dominó no sistema financeiro

Outro ponto levantado é a política de absorção de liquidez. Mondlane afirma que os bancos comerciais são obrigados a imobilizar grandes volumes de recursos no Banco de Moçambique, o que reduz a capacidade de crédito e provoca uma secura generalizada de liquidez.

Na prática, menos dinheiro a circular significa menos investimento, menos emprego e menor dinamismo económico — um ciclo que se retroalimenta.

“Isto não é regulação saudável. É uma forma de controlo excessivo que estrangula o sistema financeiro”, acusa.

“Ditadura do sistema financeiro”?

Críticas duras ao papel do Banco Central

Ao concluir, Venâncio Mondlane usa palavras fortes para caracterizar o cenário: uma “ditadura do sistema financeiro”, onde decisões centralizadas se sobrepõem à lógica económica e às necessidades reais do país. As acusações não são novas — remontam ao período em que era deputado —, mas ganham agora novo peso num contexto de maior pressão social e económica.

Conclusão: até quando os números vão contrariar a realidade?

A denúncia levanta uma questão central: é sustentável manter uma política cambial desconectada do mercado sem aprofundar a crise de confiança? Entre estatísticas oficiais e a vida real, cresce um fosso que ameaça a credibilidade das instituições e o equilíbrio económico do país.

Num contexto em que o cidadão sente no bolso o peso das decisões macroeconómicas, o debate deixa de ser técnico e passa a ser político e social.

Quem ganha com um câmbio artificial — e quem paga a conta?

E você, o que pensa sobre isso?

A taxa de câmbio reflete a realidade da economia moçambicana ou está a esconder o verdadeiro custo de vida? Deixe a sua opinião nos comentários e partilhe este artigo.

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